Quarta-feira, Outubro 08, 2008

Pergunte ao Cachorro Verde # 5

Meu nome é Mariana Penco e tenho uma pergunta: posso oferecer carne de cobras para meus cães? Caso possa, gostaria de saber se ela entra como carne com ossos ou sem ossos, se a cobra pode ser dada crua ou se tem que ferver como os peixes, apesar de cobra não ser peixe quando ela é aberta mais parece peixe do que qualquer outra coisa...rsrsrsr Pelo que ando aprendendo já já vou estar caçando para poder variar o cardápio das crianças, brincadeira!!!!! É que aqui onde eu moro tem tudo que é bicho, e as cobras são mortas e jogadas fora, se eu puder dar a carne delas para os filhotes vai ser como na natureza, presa e predador... bom vai ser quase isso, né? Abraços.

Cachorro Verde responde:
Oi Mariana,

Você pode sim aproveitar a carne das cobras. O bacana é que, além de contar como uma exótica variedade no cardápio dos cães, trata-se de uma carne 100% natural, sem promotores de crescimento ou conservadores. Além disso, contém pouca gordura e apresenta alta digestibilidade. Confira as dicas abaixo para que sua turminha continue apreciando essa iguaria:

É comum pensar que a carne de cobra deve ser evitada pelo risco de que a cobra seja peçonhenta ou, ainda, pelo risco de que a carne contenha veneno proveniente da mordida de outra serpente. Em qualquer caso a carne é segura. O “veneno” se encontra na cabeça das serpentes peçonhentas, mais precisamente nas glândulas produtoras de peçonha e nas presas inoculadoras. Bastaria, portanto, não oferecer a cabeça. Mas ainda que um cão ingerisse o veneno, não faria mal algum! Para ter efeito tóxico, essa substância precisa ser inoculada na corrente sanguínea. Se ingerida, será destruída e anulada pelo trato gastrointestinal do animal.

Certifique-se de que a carne não esteja estragada e visivelmente parasitada, características de cobras mortas há muito tempo. Assim que possível, recolha, lave e desinfete a carne (use vinagre de maçã, mais palatável), separe as porções e imediatamente congele. A carne deve passar no mínimo sete dias congelada ( - 18 graus) antes de ser servida aos cães. Não ofereça a cabeça (tem pouca carne, dentes afiados e glândulas concentradas) ou pulmões (pode conter parasitos). Também não ofereça os intestinos, fonte de bactérias salmonelas, e tome cuidado ao abrir a carcaça. Se o intestino se rupturar, a carne pode ser contaminada com as bactérias intestinais. As salmonelas não são mortas por congelamento, mas cães imunocompetentes debelam facilmente essa infecção, uma vez que essas bactérias estão presentes na microbiota intestinal de todos nós - e já foram encontradas até mesmo em rações!

Parasitoses por ingestão de carne crua de cobras podem ocorrer, mas são relativamente incomuns na América do Sul e o correto congelamento ajuda e muito a debelá-las. Tomando-se todos os cuidados, os riscos são similares aos decorrentes da ingestão de outras carnes cruas, como a suína e a de frango! Ou seja, eu não me preocuparia. Entretanto, caso ocorram acidentes, mergulhe os pedaços de carne em água fervente por alguns instantes, para eliminar as bactérias superficiais e evitar que elas penetrem no meio. Grelhar ou cozinhar no vapor – retirando-se todos os ossos - são opções para os mais receosos.

Se for oferecer a carne da cobra sem os ossos, essa refeição conta como carne desossada, ou seja, com pouco cálcio. Nesse caso, acrescente uma colher de café de pó de casca de ovo. É bem fácil de fazer. Lave bem algumas cascas de ovo de galinha (de preferência orgânicas). Coloque-as no forno (ou forninho elétrico) em temperatura média (180 graus) por 7 a 10 minutos. Depois é só levar essas casquinhas ao liquidificador e bater. O resultado será um pó bem fininho, com altíssimo teor de cálcio natural.

Agora, se seus cães lidam bem com os ossos – e eu fiquei surpresa quando uma amiga, a Camilli, contou da facilidade com que seus French Bulldogs devoraram peixes grandes e ossudos – não vejo problema em oferecer o meaty bone (carne com ossos) de cobra. Certamente é uma opção mais nutricionalmente completa. De qualquer maneira, a fim de evitar algum desbalanço nutricional, procure não oferecer carne de cobra mais de duas vezes por semana.



Em alguns países a carne de cobra é considerada uma iguaria!



Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Postado por Sylvia Angélico às 6:19 PM | | #

Terça-feira, Setembro 30, 2008

Um brinde aos novos adeptos!

Amanhã o Cachorro Verde completa cinco meses de existência. Apenas cinco meses e percebam o quanto já conseguimos divulgar a dieta natural. Dezenas de amigos e visitantes trocaram o alimento artificial para cães e gatos por comida de verdade, com excelentes resultados. Isso me deixa esperançosa. Pode ser cedo, mas arrisco dizer que somos parte de uma corrente que veio pra ficar. Um resgate da alimentação caseira – tal como nossos pais e avós praticavam com os pets deles – está em ação. Vocês vão ver.

Apesar das belas embalagens, das propagandas emocionantes e da imposição dos médicos-veterinários e fabricantes, muitos proprietários de animais de estimação estão começando a questionar a alimentação com rações. Eles sentem que alguma coisa nessa história de alimento completo e balanceado não se encaixa. Que a saúde de seus cães e gatos está se deteriorando cada vez mais cedo e que a ração contribui de alguma forma para esse processo. A Internet tem oferecido subsídios para esses pesquisadores independentes. Vejam que interessantes algumas das expressões de busca que têm trazido novos visitantes ao site:

Conservantes como benzoato de sódio causam câncer?

Como preparar refeições para cães?

Ácido benzóico faz mal aos gatos?

FDA % máxima de etoxiquina

Recalls da indústria de rações

Ingredientes das rações

Posso dar osso de frango para cães

Gatos com insuficiência renal e as rações


Quase que diariamente recebo e-mails ou scraps de pessoas atrás de dicas para começar. Gente que sempre quis dar comida, mas que nunca contou com o apoio do veterinário. Esses dias, numa fila de supermercado, conheci uma simpática senhorinha. Sua cadelinha acabara de ter filhotes mas estava muito inapetente. Pediu-me que lhe indicasse uma boa marca de ração. Comentei da dieta caseira, dos benefícios e de como preparar uma receitinha bem básica. Ela adorou a idéia. Na mesma hora largou o saco de ração que segurava e foi comprar carne fresca. Me ligou toda contente nos dias seguintes. “A cachorrinha comeu tudo!” Ela sempre quisera dar comida, mas tinha medo. Histórias assim têm sido uma contante. Ainda bem que temos cada vez mais sites e blogs favoráveis a alimentação natural. É preciso ao menos divulgar essa alternativa. Desmistificar.

Mas torno a repetir: estou otimista quanto ao futuro da alimentação natural. Na faculdade a acolhida ao conceito da dieta tem me surpreendido. Parece que o ambiente acadêmico está gradualmente se abrindo. Amigos me contam que em simpósios e congressos alguns veterinários estão se arriscando a abordar o assunto. A Pet Organic trouxe dos Estados Unidos a praticidade da dieta natural comercializada prontinha e entregue em domicílio.

Preparar em casa as refeições do cão ou gato é um hábito contagioso. Você adere à prática e logo percebe que seu entusiasmo incentivou colegas de trabalho, parentes e amigos. Pelos meus cálculos, “infectei” dezenas de pessoas, direta ou indiretamente. E o feedback – vivo pedindo as opiniões de quem faz – tem sido extremamente positivo. Pelagens mais brilhantes, fezes mais sequinhas e sem cheiro, hálitos mais frescos, cães mais saudáveis e felizes. Até o bolso dos proprietários tem agradecido.

Aliás, confiram abaixo os relatos de alguns adeptos da dieta natural. Pedi que contassem um pouquinho de suas experiências e observações. Obrigada a todos e continuem mandando fotos, sugestões e comentários sobre a alimentação natural. Vou publicando aqui sempre que der.

Thatiana Schippnick, estudante de Veterinária
Sempre desconfiei que as rações não eram um alimento tão maravilhoso como todos falam. Lembro que antigamente os cachorros comiam a mesma comida que nós, mesmo sem o balanceamento de nutrientes e não ficavam doentes. Viviam mais e melhor. Mas devido a insistência dos veterinários cedi e passei a dar ração. Depois de estudar Nutrição na faculdade de Medicina Veterinária, assim como a Sylvia, aprendi o que realmente entra na ração. Desde então, passei a dar a dieta natural para os meus cinco cães: duas vira-latas, dois Poodles e uma Yorkie filhotinha. Os resultados foram ótimos: fezes bem sequinhas e menores, menos pêlos pela casa e muito menos mau hálito.

A Yorkiezinha então, foi um caso impressionante. Adotei ela com 29 dias de idade, um cotoquinho. A mãe não quis mais os filhotes, o leite secou e os filhotinhos foram urgentemente doados. Recebi a Lili debilitada, ela mal parava em pé. Estava cheia de vermes. Antes de dar o vermífugo, que julguei ser muito forte para ela, dei um pouquinho de alho, como ensina aqui no site. Ela eliminou um monte de vermes logo no dia seguinte! Desde o começo acostumei a Lili com papinha de fígado, carne, quinoa (uma semente nutritiva), iogurte, purê de legumes e óleo de linhaça. Em poucos dias estava caminhando firme e brincando, toda sapeca e fortinha. Outro dia fiquei sabendo que o irmãozinho dela, criado com ração para filhotes (papinha industrializada) morreu. A dona o levou ao veterinário, foi prescrito um vermífugo e ele morreu pouco depois de tomá-lo. Devia estar muito debilitado.



Vivianne Mello - Chantilly Exclusive French Bulldogs
Sempre li sobre alimentação natural em sites de canis conceituados de vários países e sabia de seus inúmeros benefícios, mas achava que seria inviável começar a dieta por aqui. Achava que precisaria de espaços imensos para armazenar toda aquela comida, que seria a maior trabalheira... Mas, ao conhecer o Cachorro Verde, tudo mudou. O blog me ajudou a dar o pontapé inicial na dieta com meus buldogues franceses. Há uns quatro meses inseri a alimentação no nosso dia a dia e eu não poderia estar mais feliz com os resultados! Meus cães estão comendo super bem, inclusive os que eram chatérrimos para comer ração antes. Em poucos dias comecei a ver os resultados. Uma das minhas cadelas que adquiri quando já era adulta comia muito mal, só o suficiente para sobreviver. Hoje em dia ela é a primeira a vir na hora da refeição, e se deixar, ela devora os meaty bones dos outros cães! Realmente, no começo é um pouco trabalhoso. Mas em algumas semanas, já pegamos o esquema, já sabemos onde ir para achar as melhores partes de frango e já adaptamos à nossa rotina. Sei que nem todos têm tempo para essa dieta, mas eu recomendo, os resultados são surpreendentes. Obrigada ao Cachorro Verde! :)



Camilli Chamone, canil Ville Chamonix French Bulldogs
A minha idéia em iniciar a alimentação natural em meus cães veio da insatisfação com a ração industrializada. Provavelmente, se eu estivesse 90% satisfeita com seus resultados não teria mudado (só alimentava meus cães com rações "super premium"). Mas, estava incomodadíssima com vários aspectos:

- a morte de mais de 5000 pets na América do Norte, provocada por ração industrializada (leia sobre isso aqui)
- a entrevista que citei neste post
- a inapetência de meus cães
- o fato de eu ter que complementar a ração com comprimidos de ômegas e probióticos para manter o pêlo bonito (custo altíssimo)
- fezes muito mal cheirosas
- consistência das fezes
- quadros de diarréia em filhotes, inexplicáveis!

Há três meses, quando passei a utilizar a alimentação natural em meus cães, ainda pensava em alimentar apenas os "cães da casa" naturalmente e alimentar os filhotes, que irão para novos lares, com ração industrializada. Hoje, essa não é mais a nossa realidade. Os benefícios da BARF (bones and raw food) são tantos que não me sinto no direito de privar os filhotes do, que acredito ser, o melhor para eles.

Desde o primeiro momento em que iniciamos essa dieta, a mudança mais notável foi a disposição deles para comer. E, ainda, mantém a mesma disposição e felicidade quando apareço com as vasilhas de comida. Isso não é maravilhoso? Diminuiu MUITO a queda de pêlos. Quando eu digo MUITO, tenho que colocar em letras maiúsculas, porque diminuiu MUITO MESMO! Não é preciso varrer a casa 2X por dia mais.
Quem tem buldogues franceses e tem o hábito de fazer citologias otológicas frequentemente, sabe que é muito comum otite por malassezia ssp. Nas consultas mensais do vet, aqui em casa, quando ele fazia o swab nos ouvidos e vinha a cerinha, eu já começava a rezar, mas não adiantava muito... sempre dava otite por malassezia. Não me lembro de uma única vez que o vet veio e havia 0% de otites.

- Caiu água no banho, Camilli?
- Nem deixei cair água na cabeça!
- Brincaram na chuva de novo, Camilli?
- Não choveu!


Bem, as coisas agora mudaram radicalmente!
Os ouvidos dos meus frenchies queridos estão limpíssimos, a mucosa está lisinha, não há nenhum sinal de cerúmem lá dentro e as citologias estão com resultados excelentes!
Esses dias, fui encomendar um creme na farmácia de manipulação e a atendente me perguntou se eu não ia pedir "miconazol" (medicamento para tratar a otite). Parece-me que não vou precisar mais!

Como cãezinhos tão a-d-o-r-á-v-e-i-s podem eliminar gases tão terrivelmente f-e-d-i-d-o-s em nossa atmosfera??? Pois, acreditem: com a alimentação natural os gases sumiram quase totalmente. Parece que o intestino dos frenchies é muito sensível à quantidade de carboidratos da ração, tendo sua biota muito modificada e, consequentemente, produzindo muitos gases.

O problema de fezes amolecidas e diarréia foi 100% eliminado aqui em casa. Aliás, não resisti e fiz uma foto dos côcos para que vocês pudessem ter uma idéia! São bem durinhos, daqueles que nem marcam o chão depois de removidos. O pêlo parece que foi encerado. Brilha! Além disso, é bem sedoso ao toque. Aliás, a Aline e a Patrícia comentaram isso comigo outro dia.

Como se não bastasse isso tudo, fiz o hemograma de meus cães recentemente e comparei com o hemograma do ano passado, quando os alimentava com Royal Canin Mini Junior/Adult:

2007 - BELA
Hemácias: 5.480.000 mm3
Hemoglobina: 13,0 g/dl
Hematócrito: 38,9 %
VCM: 71,0 fl
HCM: 23,7 pg
CHCM: 33,4 g/dl

2008 - BELA
Hemácias: 8.060.000 mm3
Hemoglobina: 17,90 g/dl
Hematócrito: 51,65%
VCM: 64,08 fl
HCM: 22,21 pg
CHCM: 34,66 g/dl

Não sou aquela pessoa que adora dizer jargões, mas... contra fatos não há argumentos! :)

Não estou aqui fazendo apologia à alimentação natural. Sei que ela não é perfeita, mas acredito que é o melhor que posso oferecer para os meus buldoguinhos. Estou continuamente estudando sobre o assunto e se aparecer algo que, na prática e na ciência testada, sustente-se mais, não hesitarei em divulgar e mudar. Para mim, ração é passado.

Infelizmente, a maior desvantagem da alimentação natural é ainda o despreparo dos profissionais médico-veterinários frente a essa mudança de paradigma. Muitos nem sabem de que se trata - ainda acham que é só pescoço de peru e água -, mas relutam em expandir suas mentes para aprender além daquilo que lhes foi ensinado na universidade, que está nos livros clássicos da medicina veterinária ou, pior, aprendem apenas o que lhes ensina o vendedor de ração que bate às portas de seus consultórios com seus folhetinhos brilhantes e repletos de gráficos.

Bem, isso é o que eu posso dizer da minha experiência até agora!
Sylvia, mil perdões... mas, como falar, em apenas mil caracteres, sobre tantos benefícios?



Mariana Fullen, dona de duas Dachshunds de Pêlo Longo
Tenho duas Dachshund Pêlo Longo e há cerca de dois meses troquei a ração delas pela dieta natural, depois que a Syl me contou os diversos benefícios que ela teve com seus cães. Eu também só tenho visto benefícios: elas adoram a comida - ficam esperando ao meu lado enquanto preparo as refeições e comem tudo de uma vez, com gosto. Também estão mais saudáveis: a pelagem está mais bonita e elas estão mais ativas e alegres. Parece estranho, mas elas estão (ainda) mais carinhosas - entre elas e com a família. É como se a dieta tivesse ligado alguns "genes de matilha" que estavam adormecidos! E preparar as refeições pode parecer chato, mas não é: compro todas as carnes quinzenalmente e já congelo tudo em porções. Também congelo os purês de vegetais para a semana, porque não dá tempo de fazer in natura todos os dias. É fácil e divertido.


Peteca, uma das "salsichas" da Mari, devorando um pescoço de frango.


Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Postado por Sylvia Angélico às 9:13 PM | | #

Sábado, Setembro 27, 2008

Vídeo do Goomba devorando meaty bones

Filmamos esses dias o Goomba (nosso Pastor Australiano) saboreando seu café-da-manhã composto por meaty bones. Para quem não sabe, meaty bones são pedaços de carne contendo ossos, como carcaças, pés, pescoços e asas de frango e de outras espécies. Aqui em casa toda a turminha (três cães e dois gatos) come meaty bones crus, quase todas as manhãs. É uma excelente fonte de proteínas e cálcio - além de ofertar vitaminas e outros minerais - e garante exercício para os músculos faciais e cervicais ao mesmo tempo em que limpa os dentes e as gengivas.

Reparem na tranqüilidade do Goomba comendo a carcaça e o pé de frango. Percebam que em determinado momento, antevendo um engasgo, ele projeta sutilmente a peça para fora da boca e retoma a mastigação com a maior calma do mundo. Assim como o Goomba, a maioria dos cães rapidamente aprende a consumir meaty bones com segurança. A dieta natural é assim: exige uma postura ativa do animal e é muito estimulante. Nem lembra aquela pasmaceira de "aspirar" de uma vez todos os grãos de ração, e pronto.



Obs: Para ver outros cães devorando meaty bones, aproveite e assista aos filminhos recomendados pelo You Tube ao final da exibição.

Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Postado por Sylvia Angélico às 9:24 PM | | #

Sexta-feira, Setembro 26, 2008

Receitinhas - Casinha Picante de Gengibre

O Cachorro Verde inaugura hoje uma apetitosa série, que traz receitas descomplicadas e aprovadas, obedecendo à filosofia "faça-você-mesmo" do site. Agora, além de preparar as refeições do seu cão ou gato, você poderá oferecer guloseimas saborosas, nutritivas e saudáveis, feitas em casa. Só atente para o bom senso. Ofereça ocasionalmente e com moderação, para não predispor seu pet à obesidade.

Para dar início à seção em grande estilo pedi à Renata Vargas, formada em Gastronomia e especialista em petiscos alternativos para pets, que gentilmente nos cedesse uma de suas receitinhas. A Renata é uma cachorrólatra bacaníssima, adepta da alimentação natural há muitos e muitos anos. Esse site existe, em grande parte, graças às sementinhas sempre sutis que a Renata plantava por aí, divulgando a dieta natural.

Vamos à receita?

Casinha Picante de Gengibre

Taí um petisco incrível para cães que adoram se exercitar!

Com gostinho picante pra afastar qualquer desânimo, uma pitada de gengibre ajuda na digestão e estimula a circulação. Já o Melado de Cana é uma excelente fonte de energia, rico em Potássio, Ferro e em vitamina do complexo B, que age sobre os tecidos da pele e sobre as células nervosas. Aproveite os benefícios e leve meia dúzia no bolso qdo for caminhar com o seu parceirão!

- Rende 30 bolachinhas -

Ingredientes:

-2 colheres de sopa de gengibre fresco ralado

-4 xícaras de farinha de trigo integral

-2 colheres de chá de canela

-1/2 xícara de água

-1/2 xícara de melado de cana (prefira os artesanais, bem escuros e sem aditivos)

Instruções:

1- Misture o gengibre, a farinha e a canela

2- Devagar, adicione a água e o melado aos secos até formar uma massa firme

3- Abra a massa com o rolo + ou - na espessura de 2,5cm

4- Corte no formato que desejar e transfira os biscoitos para uma assadeira untada

5- Asse em temperatura média (180°C) de 25-30 minutos ou até dourar e secar.

Agora é só oferecer!

* Este petisco não deve ser consumido por cães diabéticos.




Literalmente, bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Postado por Sylvia Angélico às 7:47 PM | | #

Quinta-feira, Setembro 25, 2008

Pergunte ao Cachorro Verde # 4

Olá!
Me chamo Luelyn Jockymann, sou proprietária da clínica Animaletto em Campinas, São Paulo, e especialista em comportamento animal. Estranhei o fato de você se referir aos cães como "carnívoros" aqui no site e no material impresso do Cachorro Verde que recebi. Aprendi na faculdade de Veterinária e até hoje leio em publicações científicas que o cão é onívoro. Que, embora não seja o ideal, ele pode sim sobreviver comendo dietas hipoprotéicas e até vegetarianas. O gato sim, é o carnívoro de verdade, restrito. Em que publicação científica você leu que os cães são carnívoros?


Cachorro Verde responde:
Oi Dra. Luelyn,

Pergunta interessante, essa. Também aprendi, na faculdade, que os cães são onívoros e não carnívoros. Realmente, na grande maioria dos livros, principalmente os acadêmicos, essa é a descrição que encontramos. E de fato o cão pode sobreviver comendo dietas hipoprotéicas e até vegans (sem traço algum de proteína animal). Mas a filosofia do Cachorro Verde e de autores como o Dr. Ian Billinghurst e o Dr. Tom Lonsdale procura ir além do "sobreviver". Queremos ver os cães felizes e saudáveis. Entendemos que a alimentação ideal para um determinado animal é aquela que se aproxima daquilo que ele espontaneamente busca no ambiente natural. Na natureza os canídeos selvagens se alimentam majoritariamente de carcaça de animais abatidos, seja ela fresca ou em decomposição.

Reconhecemos que os cães são capazes de digerir e aproveitar vegetais, como legumes e frutas, mas que sua morfologia e metabolismo indicam que esse "onivorismo" é infinitamente mais limitado que o da espécie humana. Basta observar como a dentição dos cães - composta por dentes que prensam, dilaceram carne e esmagam ossos - difere da nossa, que favorece a mastigação. A quantidade de amilase (uma enzima que inicia a digestão do amido) na saliva do cão é quase insignificante; enquanto que na boca humana é abundante. Os canídeos apresentam intestinos grossos curtos, inadequados para a digestão de carboidratos complexos, como grãos. Cães produzem sua própria vitamina C, praticamente dispensando a suplementação dessa substância originalmente presente nos vegetais.

O grão - o mais abundante ingrediente nas rações comerciais - não está na composição por ser bom, digestível e nutritivo. Está lá por ser um resíduo barato que facilita a fabricação do pellet (croquetinho) de ração. Fabricantes e laboratórios publicam "n" estudos nutricionais anualmente, mas nunca comparando as rações a uma alimentação natural. Por que será? Será que é porque eles sairiam em desvantagem?

A alimentação industrializada para felinos domésticos ilustra bem esse fenômeno. Você mesma comentou que segundo a literatura veterinária acadêmica, o gato sim, é um carnívoro obrigatório. Certo? Certíssimo. Os gatos requerem dietas hiperprotéicas. 60% da dieta dos meus gatos é composta de patê de meaty bones (carnes contendo ossos, como asas e carcaças de frango, etc), 30% carne fresca em cubos e o restante, um mix de iogurte natural, levedura de cerveja, óleo de fígado de bacalhau e um tiquinho de purê de legumes. Esse modelo me parece o mais certo, já que os gatos aproveitam ainda menos os carboidratos e absorvem mal nutrientes vegetais. Prova disso é a incapacidade felina de biotransformar o beta caroteno (presente nos vegetais) em vitamina A.O organismo deles simplesmente não foi feito para o onivorismo.

E ainda assim as mesmas empresas que afirmam o carnivorismo dos gatos fabricam alimentos secos com apenas 30% de proteína, em geral de má qualidade, e lotados de grãos. Mas os gatos não estão sobrevivendo? Sim, estão. Sobrevivendo e adoecendo. Dos rins, da pele, de diabetes, de obesidade, de cálculo dentário, do estômago. Enquanto a média de vida de gatos alimentados com rações parece ser ao redor dos 15 anos, gatos alimentados com dietas caseiras freqüentemente ultrapassam os 20 anos de idade. Será que quando o assunto é nutrição de animais, dá para confiar exclusivamente em artigos publicados?..

Obs: Se tiver a oportunidade, leia esse artigo científico interessantíssimo. A adaptação evolutiva dos cães à proteína é tal que mesmo os nefropatas com mais de 75% de lesão renal conseguem aproveitar alimentações altamente protéicas, sem agravamento da afecção renal! É um estudo sobre rações, publicado por um fabricante de rações, mas a descoberta se aplica facilmente à nossa filosofia.


by nashthebean @ flickr


Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Postado por Sylvia Angélico às 6:42 PM | | #

Terça-feira, Setembro 23, 2008

Comedouros e bebedouros

A maioria das pessoas compra vasilhas para água e comida do pet da mesma forma com que escolhe caminhas, coleiras e outros acessórios: pela aparência, cores, marca. Mas você sabia que um inocente comedouro de plástico pode levar seu cão ou gato a intoxicações e alergias? Apesar de pouco orientada por veterinários, a escolha das vasilhas merece atenção. Mas com tanta variedade no mercado, como saber os riscos e vantagens de cada material? Confira abaixo as nossas dicas.

Plástico


Preço e beleza são o forte das tigelas de plástico, mas elas definitivamente não são uma boa opção. Estudos mostram que o plástico tende a se dissolver na presença de água e outros líquidos, o que resulta em ingestão contínua de petroquímicos. Além disso, filhotes freqüentemente roem e engolem pedaços do comedouro plástico e podem sofrer sérias obstruções e perfurações gastrointestinais. A desinfecção do comedouro ou bebedouro de plástico é particularmente complicada. Se aquecido no microondas ou lavado com água fervente - duas formas comuns de se matar bactérias – o recipiente plástico libera o BPA (Bisfenol A) um composto orgânico associado ao diabetes, câncer de mama, baixa contagem espermática e doenças crônicas. Leia esse artigo científico para saber mais – isso vale também para os humanos!

Microorganismos adoram se infiltrar nas ranhuras do fundo da tigela de plástico. Com o contato regular do animal com essas bactérias, podem aparecer falhas no pêlo e dermatites na região do focinho e da boca. Os gatos pode desenvolver um tipo de acne, caracterizada pela presença de pontinhos pretos ou purulentos no queixo. Por essas e outras, fuja dos comedouros e bebedouros de plástico!

Alumínio



Tigelas de alumínio são bonitas, costumam ser baratas e são mais fáceis de limpar do que as de plástico. Mas são igualmente destrutíveis e liberam uma certa quantidade de alumínio na ração ou água, o que pode causar algum malefício para a saúde do pet a longo prazo. Se tiver marcas de mordidas ou estiver desgastada a vasilha rapidamente vira esconderijo de bactérias e precisará ser trocada.

Cerâmica



Vasilhas de cerâmica são boas opções. Mantêm a água fresquinha e não são atraentes para filhotes e adultos mordedores. Se optar por uma vasilha de cerâmica não polida lembre-se de desinfetá-la diariamente para evitar proliferação bacteriana nos poros. Despeje água fervente e lave bem com detergente, ou aqueça a vasilha no microondas por uns três minutos para matar os microorganismos. Cerâmicas polidas e pintadas não oferecem cantinhos para as bactérias se esconderem e são bem fáceis de higienizar. Por outro lado, o chumbo presente na tinta ou verniz pode causar intoxicação. Para saber mais sobre os efeitos prejudiciais do chumbo e como evitá-los, leia essa matéria.

Inox (ou aço inoxidável)


Essa é uma das melhores opções. Vasilhas de inox são bonitas, super duráveis, resistem a mordidas e são bastante fáceis de lavar e desinfetar. O fato de não terem poros dificulta a vida das bactérias e evita problemas de pele e contaminações. Para desinfetar e deixá-la brilhando, não precisa mais do que água quente e detergente – ou ainda a dica do microondas. O único inconveniente é o preço, que não costuma ser dos mais baixos...

Vidro



Vasilhas de vidro, juntamente com as de aço inoxidável, estão entre as mais higiênicas. Não têm poros, são elegantes e de fácil desinfecção (utilize o microondas, água quente e detergente). Pode ser mais barata que a de inox, mas requer algum tipo de suporte ou base antiderrapante para evitar que se quebre durante as refeições. É uma opção interessante para gatos. O chato é que tigelas de vidro especialmente para pets podem ser meio difíceis de encontrar.

Outras dicas
Alguns cães têm o hábito de comer encerando o chão com a vasilha. Para evitar isso – e essa dica vale para qualquer tipo de comedouro – sempre utilize vasilhas de tamanho confortavelmente proporcional ao diâmetro da boca aberta do seu pet e prefira os recipientes mais pesados ou com antiderrapantes.

Alguém já viu vasilhas de cães sendo flambadas? A dica é da criadora de Bulldogs Franceses, Camilli Chamone, do canil Ville Chamonix e pode ser utilizada para esterilizar recipientes de cerâmica, alumínio, vidro ou inox.

Elevar ou não o prato?



Sempre me disseram que cães de porte grande e gigante devem ser alimentados com vasilhas elevadas por suportes – medida que, segundo dizem, reduz as chances de ocorrer a temida Síndrome Dilatação Torção Gástrica, fatal em grande parte dos casos. Comedouros elevados teoricamente evitam que os cachorrões engulam ar enquanto se alimentam, que é um dos fatores que levam à essa condição. Contrariando esse consenso, um recente e extenso estudo sobre a torção gástrica, realizado pela Purdue University, nos Estados Unidos, revelou o contrário: a alimentação em vasilhas elevadas é um fator que aumenta o risco de torção em 110%! E que “aproximadamente 20% a 50% dos casos de cães que sofreram torção são atribuíveis ao comedouro elevado.”

Os motivos por trás dessa polêmica descoberta ainda são relativamente desconhecidos e a validade desse estudo tem sido debatida em fóruns cinófilos. Por fim, clique aqui para ler o que já publicamos sobre a torção gástrica e sobre como evitá-la adotando medidas alimentares naturais.

Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Postado por Sylvia Angélico às 10:17 PM | | #

Quinta-feira, Setembro 18, 2008

Série Rações – Recall de 2007


E chegamos ao sexto e último capítulo da série Rações. Para finalizar de modo impactante, recorri mais uma vez a trechos escritos pela pesquisadora canadense Ann Martin, cuja terceira edição do livro Food Pets Die For (algo como “Comidas pelas quais os pets morrem”, inédito no Brasil), traz um minucioso relatório sobre a massiva reconvocação de rações de 2007.

Não há ninguém melhor que Ann Martin para contar o que, de fato, aconteceu no ano passado. A notícia que chegou a nós é que por motivos superficialmente explicados, um número de cães e gatos veio à óbito nos Estados Unidos após consumirem as rações que sempre comeram. Até mesmo o meu professor de Nutrição da faculdade conhecia apenas uma fração da história. Assim como eu, ele acreditou naquela história de que um número pequeno de pets morreu graças a mais uma inevitável contaminação fúngica.

Como é de praxe nessa indústria, a coisa vai bem mais longe e você vai entender o porquê.

Esses dias, ao responder uma pesquisa sobre a saúde de cães da raça Pastor de Shetland (possuo um, de sete anos) para uma tese de conclusão de curso, me lembrei de importantes episódios do histórico de saúde do meu Oliver. Em janeiro, ele completará oito anos, mas é incrivelmente saudável e jovial. Na verdade, em toda a sua vida, precisei correr com ele ao veterinário em somente duas ocasiões.

Na primeira, ele passou mal após um reforço de vacinação (V8 + anti-rábica) e para aliviar a dor e mal-estar o veterinário receitou algumas gotas de dipirona. Provavelmente em função da hipersensibilidade provocada pela vacina, o Oliver desenvolveu um angioedema (inchaço do rosto), que além de deixá-lo com uma aparência monstruosa, causava extremo incômodo, podendo levar ao fechamento da glote e, conseqüentemente, à morte. Resultado: corri com ele para a farmácia e ele melhorou depois de tomar corticóide – medicamento que, agora sei porque estudei, interfere muito na proteção da vacina.

Na segunda ocasião, ele subitamente começou a apresentar vômitos e diarréias violentos e com sangue, e a única causa plausível na época parecia ser o pacote de 1kg de Royal Canin da linha mini size que eu comprara na noite anterior. Os exames de sangue não detectaram nada, mas foi só trocar de pacote que o problema foi embora. Devo ter pego um lote com excesso de algum micronutriente ou contaminado com micotoxinas.

Em nenhum momento o veterinário sugeriu que eu suspendesse a ração e passasse a alimentar meu cão com outra dieta. Assim como, frente à reação pós-vacinal que o Oliver apresentou, não ouvi reflexões atribuindo o ocorrido à aplicação da vacina. (Aliás, tenho uma opinião igualmente alternativa em relação aos reforços anuais de vacinas e vocês logo ficarão sabendo.)

O que pretendi transmitir com essa série é que não existe essa fórmula mágica que a propaganda das rações cimentou tão bem nas nossas mentes. Uma alimentação, para ser boa, tem que ser variada dia a dia para que a complementação seja contínua. Tem que ser fresca e livre de substâncias tóxicas e desnecessárias como corantes e flavorizantes. Tem que ser baseada nas verdadeiras necessidades nutricionais dos animais e não nos interesses e conveniências dos fabricantes. Sim, alimentar bem, seja o ente querido o seu filho, seus pets ou você mesmo, dá um certo trabalho.

Mas, puxa vida, você não acha que vale a pena?





O maior recall da história

Antes de 2007, a maioria dos consumidores nunca tinha ouvido falar em recall (reconvocação) de rações para cães e gatos, ou que centenas de animais morreram na década passada por causa de alimentos contaminados. Em março de 2007, a população norte-americana tomou um susto quando mais de cem marcas populares de rações para pets sofreram recall. Os principais veículos de comunicação cobriram esse problema, que resultou nas mortes de centenas, talvez milhares de animais de estimação. Nada menos que sessenta milhões de sacos e latas de ração foram reconvocados.

No passado, os recalls eram motivados por micotoxinas (toxinas produzidas por fungos), geradas por grãos embolorados; ou ainda salmonella, uma bactéria oportunista associada a distúrbios gastrointestinais.

Além das reconvocações de ração, tem havido recalls de brinquedos para pets contendo muito chumbo, e uma pasta dental para cães que contém dietileno glicol (uma substância que pode levar a danos renais). O site Itchmo: News for Dogs & Cats oferece alertas grátis por e-mail toda vez que um recall de rações, entre outras notícias, acontece.

A fabricante Menu Foods, Inc., localizada em Ontário no Canadá, foi a primeira indústria de rações a se envolver no recall de 2007. A Menu fabrica muitas das rações de marcas privadas nos Estados Unidos, Canadá e México. Em fevereiro de 2007, a empresa recebeu a primeira de seis queixas de clientes informando que o consumo de suas rações estava deixando alguns pets doentes. Em 27 de fevereiro, a Menu deu início a testes com cerca de cinqüenta cães e gatos que passaram a ser alimentados com as rações suspeitas.

Em 2 de março, o primeiro de nove animais do teste alimentar morreu de insuficiência renal aguda. A mídia divulgou que a Menu Foods tomara conhecimento do problema desde janeiro de 2007, mas atribuíra as doenças dos animais ao hábito de fuçar o lixo, envenenamentos e outros motivos não relacionados à contaminação por ração.

O recall oficial começou em 16 de março de 2007, quando a Menu Foods anunciou a reconvocação de diversas linhas de rações úmidas (de lata e aqueles sachês tipo “pedaços ao molho”). Essa reconvocação envolveu milhões de latas e sachês de noventa e nove marcas de rações para pets, incluindo nomes de grandes varejistas como Wal-Mart.

Em 22 de março de 2007, uma rede de comunicação online criada por donos de cães e gatos, a Pet Connection, passou a providenciar uma lista de casos auto-relatados de animais que ficaram doentes ou morreram após o consumo de rações. O número total de animais de estimação mortos até aquele momento era de 460 gatos e 309 cães – e a lista aumentava todos os dias. As companhias de rações informaram à mídia um número de mortes muito inferior, de cerca de doze animais.

Outras grandes companhias de ração para pets começaram a reconvocar seus alimentos. A Procter & Gamble, fabricante da Iams e Eukanuba, reconvocou 43 linhas de Iams e 25 da Eukanuba. A Nutro, uma outra grande empresa do setor, reconvocou 34 linhas de ração para gatos e 22 linhas de rações para cães. A Purina também anunciou um recall voluntário de uma de suas linhas. Pouco depois disso, a Hill’s se juntou à lista ao reconvocar parte de suas linhas Science Diet para gatos e filhotes.




O que contaminou a ração?

Quando os testes alimentares realizados pela Menu Food resultaram em mortes de animais em fevereiro de 2007, o glúten de trigo foi considerado o maior suspeito. Em novembro de 2006, a Menu Foods havia trocado os fornecedores de glúten e agora estava comprando de uma companhia chinesa.

O glúten de trigo é um componente muito utilizado pelos fabricantes de rações para aumentar os níveis de proteína nas rações. Também é utilizado como recheio para pellets. Entretanto, esse componente tem sido empregado há anos como fonte barata de proteína em muitas rações comerciais sem nunca causar problemas. O FDA (Food and Drug Administration) suspeitou que algo a mais havia sido incorporado ao glúten, e que seria essa a causa das doenças e mortes dos cães e gatos.

Em março de 2007, a Associated Press (AP) reportou que cientistas da New York Food Laboratory haviam “feito uma descoberta crucial. Utilizando sofisticados filtros de fármacos, o laboratório determinou um veneno raticida proibido chamado aminopterina que poderia estar levando os pets à morte”. No entanto, os investigadores não podiam afirmar ser essa a única causa dos problemas relacionados às rações contaminadas.

Até porque os sinais clínicos apresentados pelos animais que consumiram as rações contaminadas não condiziam com os sintomas associados à aminopterina e que incluem náuseas, vômitos, anorexia, febre e hemorragia gastrintestinal. Uma semana mais tarde, no dia 30 de março, a Menu Foods e o FDA informaram que profissionais da inspeção encontraram traços de melamina no glúten de trigo contido nas rações suspeitas. A melamina também foi encontrada na urina e nos rins dos gatos que haviam morrido após comerem as rações contaminadas.

A melamina é utilizada para fabricação de utensílios de cozinha e superfícies de balcões e é freqüentemente usada como fertilizante na Ásia. Embora a melamina seja considerada uma substância de baixa toxicidade, não foram realizados pesquisas ou estudos que determinassem o exato efeito da melamina no organismo de cães e gatos. A falta dessa documentação dificultou a determinação de sua dose letal.

O Xuzhou Anying Biologic Technology Development Company, a norte de Xangai, na China, foi identificado como a origem deste glúten de trigo contaminado com melamina. O fabricante chinês enviou o glúten de trigo a um número de empresas de pet food nos Estados Unidos e no Canadá. É evidente que o glúten de trigo não foi testado por nenhuma das companhias ao longo do seu trajeto – muito menos as fábricas de rações para pets que estavam adicionando o glúten de trigo às suas fórmulas.

Concomitantemente, as companhias de rações começaram a reconvocar diversos petiscos para pets: bifinhos, biscoitos, etc. Todos esses alimentos para pets haviam sido feitos com glúten de trigo importado da China.

Apesar da Menu Foods divulgar só ter utilizado o glúten de trigo em suas fábricas nos estados do Kansas e New Jersey, relatórios da mídia mostraram que a Menu também enviou uma parte desse glúten de trigo contaminado para a sua fábrica de processamento em Ontário, no Canadá. Em 9 de abril de 2007, essa notícia recente resultou em um recall da ração terapêutica Medi-Cal Feline Dissolution Formula, da Royal Canin, vendida apenas em clínicas veterinárias.

O site Pet Connection informava que até 16 de maio de 2007, proprietários de pets reportaram as mortes de 4.867 animais de estimação (2.527 gatos e 2.365 cães). Essas não são estatísticas oficiais do FDA e sim afirmações de pessoas que dizem ter perdido seus animais após tê-los alimentado com rações contaminadas.




O que disseram as autoridades?

Consumidores e oficiais do governo queriam respostas. Em 12 de abril de 2007, o Senador Dick Durbin promoveu auditorias no Senado a respeito da contaminação nas rações. Na lista para questionamentos estavam oficiais do FDA, bem como especialistas da Pet Food Intitute (PFI), da Association of American Feed Control Officials (AAFCO) e veterinários. O Senador Durbin pedia que eles definissem em que pé se encontrava a indústria de rações para cães e gatos. A Menu Foods não enviou representantes da companhia; em vez disso preferiu ser representada por Duane Ekedahl, Diretor Executivo da PFI.

Stephen Sundloff, diretor do Center for Veterinary Medicine (FD/CVM) do FDA (Food and Drug Administration), afirmou que o FDA havia inspecionado apenas 30% de todas as fábricas de rações para pets desde 2004. Ele também admitiu que a fábrica que distribuiu o glúten de trigo contaminado, localizado no Kansas, nunca tinha sido inspecionada anteriormente a esse problema.

Durante a auditoria, Eric Nelson, presidente da AAFCO, admitiu que sua organização realiza poucas fiscalizações porque a indústria “se auto-regula bem”. O porta-voz da PFI, Duane Ekedahl informou ao comitê do Senado, “A indústria de alimentos para pets tem um dos maiores índices de credibilidade de qualquer produto na prateleira hoje”. Ele garantiu aos senadores, “as rações para pets são seguras.”

Eis a resposta do Senador Durbin ao depoimento de Ekedahl: “Não acredito quando você diz que as rações para pets são altamente regulamentadas – não há regulamentação da AAFCO, não há pré-aprovação do mercado, não há inspeções regulares, apenas 30% dessas fábricas são inspecionadas, não há penalidades, o governo não tem autoridade para reconvocar um produto contaminado, não há padrões mandatórios – é difícil concluir que se trata de um produto altamente regulamentado”.

Os Estados Unidos e o Canadá não foram os únicos países que enfrentaram mortes de pets por alimentos comerciais contaminados. A África do Sul relatou pelo menos trinta mortes.



Postado por Sylvia Angélico às 10:58 PM | | #

Série Rações - Recall de 2007 # 2

Combinações letais de melamina e ácido cianúrico

Será que só a melamina foi responsável pelas mortes de todos esses cães e gatos? Desde o momento em que o FDA anunciou ter encontrado melamina não fazia sentido que ela fosse a única culpada. Essa substância, por si só, não poderia ter causado o que vimos com esse massivo recall.

Em 27 de abril de 2007, a City Television (CTV) no Canadá informou que pesquisadores da University of Guelph em Ontário, no Canadá, haviam descoberto uma reação química que poderia explicar como os pets adoeceram após ingerirem rações contaminadas. Perry Martos, PhD, um pesquisador associado à Guelph’s Agriculture and Food Laboratory, e sua equipe, reportou: “descobrimos uma perigosa reação quando a melamina e o ácido cianúrico – dois contaminantes encontrados no glúten de trigo importado utilizado nas rações para pets – foram combinados. Esses dois químicos reagem e formam cristais capazes de bloquear a função renal.”

O ácido cianúrico é comumente utilizado em cloração de piscinas. De acordo com David Barboza do International Herald Tribune, “a indústria dos químicos e da agricultura já sabe há anos que os produtores chineses de ração têm secreta e silenciosamente empregado o ácido cianúrico para ludibriar os compradores das rações para animais.” Ele acrescenta, “eles utilizam ácido cianúrico porque é ainda mais barato do que a melamina e é rico em nitrogênio, o que aumenta artificialmente os níveis de proteína da ração.”

Em uma entrevista para a revista Pet Food Magazine, Paul Henderson, diretor da Menu Foods, ofereceu um outro ponto de vista. Segundo ele, “a cristalização e a lavagem da melamina gera uma quantidade considerável de água suja, que é poluente se descartada diretamente no ambiente.” A essa substância dá-se o nome “melamine scrap” (“resto de melamina”). Esse resíduo é em maioria melamina (70%), mas contém significativas quantidades de ácido cianúrico. Henderson acrescenta: “aparentemente, os fabricantes chineses ficaram gananciosos demais. Eles passaram a substituir proteína por melamina, e melamina pelo baratíssimo “resto de melamina”, e isso provocou grandes problemas.”

Em maio de 2007, surgiu uma nova corrente de recalls de rações. Dessa vez, as reconvocações foram instigadas porque o FDA encontrou um número de rações secas para pets que apresentavam contaminação-cruzada, que é quando determinado ingrediente se contamina pelo contato com outro ingrediente, superfície, manipulação ou utensílios contaminados. As máquinas de algumas fábricas de rações não tinham sido limpas após os recalls e os produtos subseqüentes produzidos pelas companhias de ração estavam também sendo contaminados com a melamina.

Processos rolam soltos como resultado das reconvocações de rações de 2007. Proprietários de animais estão processando inúmeras corporações envolvidas no recall, dentre elas a Menu Pet Foods, a Nutro Products, a Royal Canin, a Procter & Gamble, a Colgate Palmolive (responsável pela Hill’s), a Nestlé U.S.A., e outras. Em 16 de março de 2007, a firma de advocacia Meltzman Foreman, em Miami, anunciou que estava movendo uma ação contra as companhias de rações para pets. Eles alegam que as marcas vendem seus produtos como sendo saudáveis, compostos por cortes selecionados de carne, dietas naturais, completas e balanceadas, mesmo sabendo que se trata de um alimento majoritariamente composto por uma combinação de carboidratos e açúcares, e conservantes e aditivos tóxicos, contendo pouca ou nenhuma carne.

Alguns outros recalls

Ano: 1995
Marca: Nature’s Recipe
Uma empresa localizada na Califórnia, a Nature’s Recipe reconvocou milhares de toneladas de suas linhas de rações secas para cães e para gatos. Os alimentos haviam sido contaminados com vomitoxina, uma micotoxina causada pelo bolor nos grãos. Nesse caso, o trigo estava contaminado. Sintomas incluíam vômitos, diarréia, e falta de apetite. Não há registros de que tenham morrido animais de estimação nesse recall. Estima-se que a empresa tenha perdido R$ 20 milhões de dólares, embora continue na ativa.

Ano: 1996
Marca: Martin Feed Mills Limited
Essa companhia canadense reconvocou a ração Techni-Cal, após quinze cães terem morrido. Um antibiótico chamado Monensin, componentes das rações de galinhas, foi parar erroneamente nessa ração para cães. Para a espécie canina, o Monensin pode ser letal dependendo da dose ingerida.

Alguns anos depois, a Martin Feed Mills Limited foi comprada pela H.J. Heinz (sim, do ketchup!) do Canadá. Em 2002, a Heinz vendeu a empresa para a Del Monte Foods Company e, em 2004, a Del Monte vendeu a empresa para a Royal Canin. Em 2006, o FDA (Food and Drug Administration) reconvocou a ração da Royal Canin.

Ano: 2005
Marca: Diamond Pet Food
Sediada em Gaston, na Carolina do Norte, Estados Unidos, reconvocou 18 linhas de suas rações. Aflatoxina B1, outra micotoxina, mais tóxica que a vomitoxina, matou mais de 100 cães. As rações para gatos da Diamond também sofreram recall mesmo não havendo relatos de doenças em felinos associadas às rações. Mas os sintomas podem levar semanas para aparecer.

A fiscalização pelo FDA revelou que dezesseis lotes de rações da Diamond fabricados entre 1 de setembro e 30 de novembro de 2005 continham um teor de aflatoxina que excedia o limite máximo permitido de 20 partes por bilhão (20 ppb). Uma amostra recolhida continha 376 ppb!

Ano: 2006
Marca: Royal Canin do Canadá
Essa subsidiária da Royal Canin, com estabelecimento em Aimargues, na França, emitiu um relatório de que a companhia estava reconvocando quatro de suas dietas terapêuticas devido a níveis elevados de vitamina D3. Níveis altos dessa vitamina podem levar a altos níveis de cálcio no sangue e causar reações adversas. Desde novembro de 2005, a Royal Canin recebeu oito queixas de hipercalcemia (elevado teor de cálcio na circulação sangüínea) em cães.

Se não tratada, a hipercalcemia pode levar a distúrbios ósseos, alterações cardíacas (incluindo arritmia) hipertensão renal, insuficiência renal e até à morte. Em março de 2006, o número de cães acometidos subia para 24. A Royal Canin atribuiu a situação a um erro no premix vitamínico adicionado às rações. Esses premix geralmente contêm teores mais altos de vitaminas do que o recomendado para cães e gatos. As companhias de rações para pets sabem disso, mas utilizam níveis mais altos para compensar a destruição vitamínica ocorrida durante o processamento e durante o longo período que as rações passam nos caminhões, depósitos e prateleiras das lojas. A vitamina D é muito mais estável que as outras vitaminas e não é tão degradada durante o processamento e armazenamento.

Em março de 2007, proprietários de pets moveram uma ação de R$ 50 milhões contra a Royal Canin canadense. A compensação abrange 59 produtos da marca.

Ano: 2007
Marca: Eukanuba e Iams
O FDA enviou uma carta de advertência para a Iams em 8 de janeiro de 2007 a respeito de um aditivo empregado nas rações Iams e Eukanuba para cães e gatos obesos (Eukanuba Veterinary Diets Optimum Weight Control e a linha Restricted Calorie). Tratava-se do tripicolinato de cromo que é somente permitido como fonte suplementar de cromo nas rações para suínos. Não fora testada a segurança desse aditivo para cães e gatos. Até a primavera de 2008 a Iams não tinha definido uma data para remoção deste aditivo das rações.



--//--

Conclusão

Gosto muito do trechinho que segue, de autoria do veterinário norte-americano Richard Pitcairn, autor do livro “Dr. Pitcairn’s Complete Guide to Natural Health for Dogs & Cats”:

Não tenho nada pessoal contra os fabricantes de rações processadas para pets, tampouco desejo que eles vão à falência. Eles provavelmente estão fazendo o que podem para oferecer produtos nutricionalmente balanceados a preços razoáveis, fazendo uso de materiais que, do contrário, virariam lixo ou seriam usados como fertilizantes.”

Também entendo o emprego de ingredientes de quinta, até como forma de poupar o meio ambiente de mais resíduos. O problema, a meu ver, está no mascaramento da verdade. Em se vender um conceito errôneo. Se você tivesse aprendido, de preferência com seu veterinário, o que de fato vai na ração, talvez tivesse optado por uma dieta mais natural, ainda que um pouco mais trabalhosa.

Infelizmente, tudo indica que os recalls não vão parar. Veja o que diz o capítulo ironicamente entitulado “Considerações Gerais sobre a Produção de Rações e Ingredientes e Parâmetros de Qualidade”, do livro “Qualidade de ingredientes na Alimentação Animal” (2002), de José Eduardo Butolo:

“Existem dois métodos para a redução da contaminação cruzada em rações, originadas a partir de alimentos medicados:

1 – Limpeza de arrasto: utilizamos um ingrediente (exemplo: fubá de milho moído), que deve passar por todo o sistema de produção após a confecção do lote de uma ração medicada. Esse ingrediente absorverá a maior parte do contaminante distribuído no sistema e depois disso será ensacado e analisado para ser utilizado posteriormente em outra ração que deverá conter o mesmo ingrediente medicamentoso. A desvantagem desse método é que esse ingrediente poderá conter traços de outros microingredientes de vários produtos.”


Mais alarmante é esse artigo: mesmo com as milhares de mortes de cães e gatos no ano passado por intoxicações com a tal melamima, a China não discriminou o uso dessa substância em produtos como o leite em pó. E isso tem resultado em uma catastrófica epidemia de insuficiência renal aguda em bebês, que vitimiza crianças diariamente. Se mal podemos confiar em produtos desenvolvidos para bebês humanos, que deveriam ter o mais alto controle de qualidade, como podemos continuar terceirizando, às cegas, a alimentação dos nossos cães e gatos?




Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Postado por Sylvia Angélico às 10:42 PM | | #

Domingo, Setembro 14, 2008

Série Rações – análise de marcas Super Premium


Quando ficam sabendo da dieta natural e das vantagens em relação às rações, muitas pessoas retrucam: “ah, mas eu dou ração Super Premium; meu cão ou gato já come um excelente alimento, né?” Errado. Aqui no Brasil, infelizmente, não existe nenhuma ração excelente. Nenhuma. É difícil aceitar isso, eu sei. Aquele veterinário em quem você confia sempre disse que aqueles cento e tantos reais que você gasta mensalmente com um saco de ração “Super Premium” valem a pena. Que existe uma equipe de cientistas especializados e um mundo de tecnologia e boa vontade por trás daquelas embalagens chamativas. Que você está oferecendo o melhor alimento que existe.

Não é nada disso, lamentavelmente. Nos últimos quatro posts, você pôde descobrir que, independente da ração ser da marca “x” ou “y”:

- Os ingredientes listados no rótulo não são exatamente aquilo o que parecem ser;
- O processamento na fabricação da ração destrói os poucos nutrientes originalmente presentes;
- Pelo menos nos Estados Unidos e no Canadá, é comum o uso de carcaças de cães e gatos eutanasiados (sacrificados) nas rações;
- Os aditivos (corantes, flavorizantes, conservantes, etc) estão associados a câncer, alergias e degenerações renal e hepática nos cães e gatos;
- Condições perigosas, como a torção gástrica, praticamente só acometem cães alimentados com rações e outras dietas ricas em grãos.

A idéia era encerrar com esse post a série Rações. Sim, vários assuntos ainda ficariam de fora: os experimentos cruéis e desnecessários envolvendo cães e gatos nos laboratórios das multinacionais da pet food; como funciona a “regulamentação” das rações, etc. Mas eu pretendia finalizar a série com um texto sobre o que de fato aconteceu em 2007 quando houve o maior recall (reconvocação) de rações da História, com mais de 2 mil cães e gatos mortos.

O texto final, sobre o recall, fica para daqui uns dias.

Hoje tomei conhecimento do interessantíssimo Dog Food Analysis, um site que traz resenhas informativas e atualizadas sobre diversas marcas de rações para cães. Só para você ter uma idéia, todas as rações que consideramos como “top” no Brasil receberam nota 1 – numa escala de 1 a 6 - sendo 1 a pior nota ! Se o seu cão ainda é alimentado com ração, aproveite para ler o que dizem os especialistas desse site sobre a marca que você compra.

Logo na página “About” (“Quem Somos”) o recado principal é transmitido no primeiro parágrafo (mas leia o texto todo, que é ótimo):

"Por que esse site existe?

Porque os alimentos comerciais são, historicamente e em maioria, extremamente ruins. Verdade; essa é a realidade da indústria de rações para pets. Somos bombardeados com propagandas que mostram imagens de frangos suculentos e roliços, vegetais frescos de horta; nos contam que os diversos alimentos contidos nas rações são cientificamente formulados para oferecer todas as vantagens nutricionais e atender a todas as necessidades do animal. Mas a realidade é outra. “Cientificamente formulado” é um termo sem significado. Ou você formula cientificamente o seu jantar? Você acha que precisa fazer isso? Parece bem ridículo, não? Não, você (espero eu) consome uma variedade de alimentos frescos. É isso que seu pet precisa comer também."



Dando nome aos bois

O site é norte-americano e avalia as marcas comercializadas nos Estados Unidos. Mas muitas dessas marcas são vendidas aqui e, mesmo que haja alterações nas versões tupiniquins desses alimentos, não creio que sejam significativas a ponto de invalidar a pesquisa. O que pode acontecer – e acontece! – é o rótulo apresentar uma disposição diferente de ingredientes. Pegue uma embalagem de Frolic para entender do que estou falando.

Nessa ração, em particular, duas composições diferentes constam no verso de uma mesma embalagem! Uma composição, em português, traz um ingrediente à base de carne encabeçando a lista. Já no que deveria ser a mesma composição, só que em espanhol, vemos outro ingrediente em primeiro lugar. Seriam duas fórmulas diferentes? Não. Obviamente, trata-se do splitting, estratégia de rotulagem que mencionamos no terceiro capítulo dessa série. Se em um determinado país o povo espera ver “carne” como primeiro ingrediente, coloca-se “carne” no topo da lista. Se outro país não liga muito pra isso, a “carne” perde o destaque. É simples assim. Confira abaixo, as rações Super Premium e suas formulações.

Pro Plan (adulto, Beef & Rice)
Nota: 1

O primeiro ingrediente, supostamente à base de carne, não é carne na totalidade, mas carne destituída de água (cerca de 80%). Uma vez que a umidade é extraída, como deve ocorrer para criar um produto desidratado, o ingrediente passa a pesar cerca de 20% do seu peso total. Ingredientes são listados por ordem de peso e o ingrediente desidratado provavelmente cairia em uma posição bem mais baixa na lista.

É improvável que esse ingrediente contribua significativamente para o conteúdo protéico total dessa ração. O principal ingrediente de carne dessa ração é, na verdade, a farinha de frango (também chamada, no Brasil, de “farinha de miúdos” ou ainda “farinha de subprodutos de carne ou frango”). É impossível verificar a qualidade desses produtos que são de baixíssima qualidade por serem resíduos da alimentação humana, ou cortes com valor tão reduzido que não podem ser direcionados para o consumo humano.

Trata-se de um ingrediente muito pobre, que não permite a identificação da(s) espécie(s) utilizada(s) no processo de reciclagem. O sétimo ingrediente da lista também é um subproduto de carne, tornando improvável que haja uma quantidade significativa de carne nessa ração, que está mais para uma coleção de grãos.

“Farinha de peixe” é outro ingrediente de carne na ração, mas aparece listada tão pra abaixo que não contribui significativamente para o conteúdo geral de carne. Também não encontramos, no site do fabricante, garantia de que apenas alimentos protéicos livres de etoxiquina (a etoxiquina, como tratamos no primeiro capítulo da série, é um preservante químico comumente adicionado aos produtos de peixe, e que foi banido e pesadamente controlado em alimentos humanos devido à hipótese de que possa ser carcinogênico).

Os principais grãos e principais ingredientes nessa ração são a levedura de arroz e o milho. A levedura de arroz é um subproduto de baixa qualidade. Milho é um grão difícil de digerir e de baixo valor na alimentação canina. Também está comumente associado a alergias. A farinha de glúten de milho é aquela porção do milho que sobra depois da extração do amido, do glúten e de outras partes retiradas para fazer, por exemplo, xarope de milho.

Fibra de milho é outro fragmento de grão incluído como fonte de fibra. O trigo é considerado por muitos como sendo a principal causa de problemas de alergia em cães, mas ao menos é o grão inteiro e não um fragmento. Preferiríamos ver o uso de ovos inteiros em vez de produtos à base de ovos na ração.

A gordura animal é um ingrediente de origem não identificável para o qual é impossível determinar a espécie, a fonte ou a qualidade. Ingredientes que não podem ser identificados são geralmente de muito baixa qualidade. Consistem predominantemente de ésteres de glicerol de ácidos graxos e não contêm adição de ácidos graxos livres. Se um antioxidante (conservante) é empregado, o nome comum deve estar indicado, acompanhado de palavras como “utilizado como conservante”.

Observamos o uso da vitamina K sintética, uma substância associada a doenças hepáticas e que tem sido removida de rações de melhor qualidade.



Hill's Science Diet Adult Small Bites Lamb & Rice Recipe
Nota: 1

O primeiro ingrediente é um suposto produto à base de carne. É o único ingrediente de carne dessa ração. O principal grão é a levedura de arroz, que é um grão de baixa qualidade, além de ser um subproduto. O farelo de arroz, o terceiro ingrediente, é um fragmento de grão que serve como fonte de fibra. O quarto ingrediente é o trigo. O uso do trigo é especialmente negativo: o trigo é considerado a causa número um de alergias na ração dos cães. Esse é outro ingrediente que preferimos não ver nas rações.

O farelo de glúten de milho é outro ingrediente de baixa qualidade. O milho é um grão problemático e difícil de ser digerido por cães, além de ser considerado uma das causas de grande parte das alergias e infecções fúngicas nos cães. Preferimos não ver o milho sendo utilizado nas rações caninas. A cevada é um grão de qualidade decente, mas com seis outros grãos seguintes ao ingrediente à base de carne, essa parece ser uma ração rica demais em grãos.

A gordura animal é um ingrediente de origem não identificável para o qual é impossível determinar a espécie, a fonte ou a qualidade. Ingredientes que não podem ser identificados são geralmente de muito baixa qualidade. Consistem predominantemente de ésteres de glicerol de ácidos graxos e não contêm adição de ácidos graxos livres. Se um antioxidante (conservante) é empregado, o nome comum deve estar indicado, acompanhado de palavras como “utilizado como conservante”.

A polpa de beterraba é outro ingrediente usado como fonte de fibra – é um subproduto, sendo o resíduo desidratado do açúcar de beterraba que foi extraído pelo processo de fabricação de açúcar. É um item que divide opiniões, considerado por alguns fabricantes como uma boa fonte de fibra, é também tido como um ingrediente utilizado para retardar a rancificação de gorduras de origem animal e que pode lesionar os rins e o fígado. Observamos que a polpa de beterraba é um ingrediente que comumente causa problemas em cães, incluindo alergias e infecções de ouvido.

A soja é uma fonte de proteína de baixa qualidade e uma causa comum de problemas alérgicos. Alguns acreditam que ela seja a causa número um de alergias alimentares em cães (sobrepujando até mesmo o trigo).

Royal Canin (Mini - Beleza da Pelagem)
Nota: 1

O primeiro ingrediente, supostamente à base de carne, não é carne na totalidade, mas carne destituída de água (cerca de 80%). Uma vez que a umidade é extraída, como deve ocorrer para criar um produto desidratado, o ingrediente passa a pesar cerca de 20% do seu peso total. Ingredientes são listados por ordem de peso e o ingrediente desidratado provavelmente cairia para uma posição bem mais baixa na lista. O principal item à base de carne aparece em quarto lugar e é um produto de carne na forma “farinha de carne” (ou “farinha de miúdos” ou “farinha de subprodutos de carne”). A posição na lista é muito baixa para nos dar confiança de que a ração contém a quantidade adequada de carne.

Os principais grãos da ração são arroz, levedura de arroz e o milho. O arroz é um grão de boa qualidade, mas a levedura de arroz é um ingrediente de baixa qualidade e um subproduto. Milho é um grão difícil de digerir e de baixo valor na alimentação canina. Também está comumente associado a alergias. A farinha de glúten de milho é aquela porção do milho que sobra depois da extração do amido, do glúten e de outras partes retiradas para fazer, por exemplo, o xarope de milho. As cascas de arroz são fontes de fibra.

A polpa de beterraba é uma fonte de fibra que parece ser utilizada em grandes quantidades nessa ração. É um subproduto, sendo o resíduo desidratado do açúcar de beterraba que foi extraído pelo processo de fabricação de açúcar. É um item que divide opiniões, considerado por alguns fabricantes como uma boa fonte de fibra, é também tido como um ingrediente utilizado para retardar a rancificação de gorduras de origem animal e que pode lesionar os rins e o fígado. Observamos que a polpa de beterraba é um ingrediente que comumente causa problemas em cães, incluindo alergias e infecções de ouvido.

No geral, esse produto tem ingredientes de qualidades variáveis e teor mínimo de carne para os cães.

Eukanuba (Raças Grandes – Adultos)
Nota: 1

O primeiro ingrediente dessa alimentação é um produto à base de carne. É frango sem o a água, que, ao ser extraída como é necessário para processar a ração, deixará o ingrediente com peso de 20% do peso total original. É, portanto improvável que esse seja o primeiro ingrediente da ração. O correto seria posicioná-lo abaixo na lista de ingredientes. O principal grão dessa ração é o milho. O milho é de difícil digestão pelos cães e é considerado a causa de muitos problemas alérgicos e infecções fúngicas.

Essa ração utiliza subprodutos. É impossível verificar a qualidade desses produtos que são de baixíssima qualidade por serem resíduos da alimentação humana, ou cortes com valor tão reduzido que não podem ser direcionados para o consumo humano. Recomendamos evitar todas as rações que utilizem subprodutos. Valorizamos a inclusão de um segundo produto à base de carne (a “farinha de peixe” ou “carne de peixe” como o sexto ingrediente da lista).

Entretanto, o fabricante não informa se utiliza fontes livres de etoxiquina (um preservante químico comumente adicionado aos produtos de peixe e que foi banido dos alimentos humanos por ser considerado carcinogênico). A polpa de beterraba é uma fonte de fibra que parece ser utilizada em grandes quantidades nessa ração. É um subproduto, sendo o resíduo desidratado do açúcar de beterraba que foi extraído pelo processo de fabricação do açúcar. É um item que divide opiniões, considerado por alguns fabricantes como uma boa fonte de fibra, é também tido como um ingrediente utilizado para retardar a rancificação de gorduras de origem animal e que pode lesionar os rins e o fígado. Observamos que a polpa de beterraba é um ingrediente que comumente causa problemas em cães, incluindo alergias e infecções de ouvido.

Preferiríamos ver o uso de ovos inteiros, em vez de produtos à base de ovos.



Pedigree
Nota: 1

Essa ração recebe a nota 1 simplesmente porque não tem nota mais baixa. Os principais ingredientes são grãos (deveriam ser carnes!). O milho é um grão problemático, de difícil digestão para os cães e considerado a causa de muitas alergias e problemas fúngicos. “Farinha de carne e ossos” é um produto de baixa qualidade que é impossível de determinar a fonte.

O milho aparece duas vezes, a segunda como farelo de glúten de milho, um subproduto de baixíssima qualidade. O próximo ingrediente são subprodutos. É impossível verificar a qualidade desses produtos que são de baixíssima qualidade por serem resíduos da alimentação humana, ou partes com valor tão reduzido que não podem ser direcionados para o consumo humano. Recomendamos evitar todas as rações que utilizam subprodutos.

A gordura animal é um ingrediente de origem não identificável para o qual é impossível determinar a espécie, a fonte ou a qualidade. Ingredientes que não podem ser identificados são geralmente de muito baixa qualidade. Consistem predominantemente de ésteres de glicerol de ácidos graxos e não contêm adição de ácidos graxos livres. Se um antioxidante (conservante) é empregado, o nome comum deve estar indicado, descrito de palavras como “utilizado como conservante”.

Essa ração utiliza conservantes químicos (BHA, BHT), que são considerados carcinogênicos e foi banido dos alimentos para consumo humano. Também utiliza corantes artificiais. O sexto e o décimo segundo ingredientes são fragmentos de trigo. O uso do trigo é particularmente negativo: ele é considerado uma das principais causas de problemas alérgicos nas rações dos cães. É outro ingrediente que preferimos não ver nas rações.


-- // --


Agora que vimos a opinião dos especialistas do site acerca das rações que aqui no Brasil são consideradas a nata do mercado (e que lá fora recebem uma conotação infinitamente menos nobre), vejamos o que o Dog Food Analysis tem a dizer sobre uma das rações que recebeu a cobiçada nota máxima (6) e que é citada no site como sendo a melhor opção em alimento industrializado.

Artemis Maximal Dog
Nota: 6

O primeiro ingrediente dessa alimentação é um produto à base de carne. Há um segundo ingrediente à base de carne no quarto lugar da lista, mas trata-se de carne sem água, que, ao ser extraída como é necessário para processar a ração, deixará o ingrediente com peso de 20% do peso total original. É, portanto improvável que seja um contribuinte significativo do teor total de carne da ração. Como só há dois ingredientes a frente do conteúdo lipídico (que responde por 20%), e o ingrediente à base de carne é o mais abundante desses dois componentes, é razoável confiar que o produto contém uma boa quantidade de carne.

Observamos que a gordura consta como o terceiro ingrediente dessa ração. Uma pesquisa da Purdue University identificou que a inserção da gordura como um dos quarto principais ingredientes das rações secas é um fator que aumenta o risco de torção gástrica em cães de grande porte. Não foram realizados testes com raças pequenas.

Essa é uma ração totalmente isenta de grãos. A maior fonte de carboidratos é a batata, que é uma boa fonte de proteína vegetal. A ração contém ovos inteiros, uma boa variedade de probióticos e frutas e legumes. É excelente que essa ração não contenha grãos. Grãos não são parte natural da dieta de um cão. Este é um conceito mais natural de alimentação e, combinado com uma grande quantidade de carne e ausência completa de ingredientes controversos e de baixa qualidade, justifica a inclusão da Artemis em uma classe acima das formas mais convencionais de alimentação comercial canina.


-- // --



Conclusão:
Essas são apenas algumas das resenhas que o site disponibiliza – são mais de duas mil, garantindo horas de pesquisa. É importante ressaltar que, como os próprios idealizadores do Dog Food Analysis explicam em seu “Quem Somos”, eles apóiam mesmo é a alimentação natural, com carne crua e ossos. Mas, para quem insiste em oferecer rações comerciais por quaisquer motivos que sejam, fica essa dica para uma escolha mais criteriosa da marca.

Infelizmente, rações como a Artemis não virão para o Brasil tão cedo. Mas mesmo uma ração desse calibre não é páreo para uma boa alimentação natural, preparada por você. Isso porque a Artemis é processada e a gente sabe o que o processamento faz com os ingredientes e nutrientes. Portanto, se a sua intenção é manter seu amigo canino ou felino saudável e longevo, e gastar menos com consultas e medicamentos veterinários, recomendo que você adote uma postura mais pró-ativa em relação ao que o seu pet come.




Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Postado por Sylvia Angélico às 2:13 AM | | #

Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Série Rações – Doenças

Em primeiro lugar, me perdoem pela prolongada ausência. Um de nossos notebooks passou por conserto e tive de ceder o meu para que pudéssemos trabalhar (temos uma mini-empresa de identidade visual para o setores pet e veterinário, o FotoPets). Além disso, estou em semana de provas e, em paralelo, ando desenvolvendo alguns trabalhinhos acadêmicos – adivinhem sobre o que? Alimentação natural, é claro!

O quarto e penúltimo capítulo da série “rações” traz reflexões de veterinários e pesquisadores que apóiam a alimentação natural sobre doenças comumente associadas às dietas “completas e balanceadas”. Atualmente, ouvimos falar com freqüência de problemas como a torção gástrica, pancreatite, alergias cutâneas, tumores, afecções do trato urinário em felinos e “tártaro” dentário. O que poucos sabem é que todas essas doenças estão relacionadas ao consumo de rações comerciais.

Até trinta anos atrás, quando as rações ensaiavam sua penetração no mercado brasileiro, essas eram ocorrências pouco freqüentes. Em populações de cães selvagens, então, afecções como a temível torção gástrica nunca foram documentadas. Hoje em dia, no afã de diagnosticar e tratar, a maioria dos veterinários acaba, sem querer, sentenciando os animais de estimação a uma vida de supressão de sinais clínicos e manutenção de uma dieta artificial sem entender que atitudes como estas só contribuem com o agravamento dos quadros.

Muitos, ao se depararem com a alternativa natural de alimentação, acusam as dietas cruas de exporem excessivamente os pets a microorganismos patológicos, ignorando, muitas vezes, o fato de que carnívoros como cães e gatos evoluíram para digerir e aproveitar alimentos crus. Antes um nível tolerável de bactérias – coisa facilmente debelada por animais imunologicamente competentes – do que a contínua ingestão de um modelo de dieta que parece atender muito melhor os interesses da indústria do que dos animais.

Leia abaixo a opinião de médicos-veterinários e pesquisadores e veja mais uma vez porque, pelo menos para mim, alimentar pets com ração não é mais uma opção viável.

Torção gástrica


A Síndrome Dilatação e Torção Gástrica, mais conhecida como torção gástrica, é um distúrbio que pode ter conseqüências fatais para os cães. Raças de cães grandes e gigantes são especialmente acometidas. Raças especialmente predispostas incluem o Basset Hound, o Dogue Alemão, o Pastor Alemão, o Boxer, o Borzói, o São Bernardo, o Terra Nova e outros grandões. Trata-se de um problema com duas fases. O estômago se enche de gases e, inchado, rotaciona sobre o próprio eixo. Isso comprime importantes vasos sanguíneos e órgãos e leva à morte se o animal não receber atenção veterinária imediatamente. Mais de 60 mil cães sofrem de torção gástrica todos os anos, só nos Estados Unidos.

Muitas teorias têm tentado explicar a prevalência da Síndrome Dilatação e Torção Gástrica pelo consumo das rações comerciais para pets e práticas de criação. Isso se deve largamente ao fato de a torção gástrica ser desconhecida em populações de canídeos selvagens. Pode ser que o alimento comercial seco, baseado em cereais e altamente fermentável torne os cães mais propensos à torção. (Lowell Ackermann, médico-veterinário)

Nos últimos anos o número de casos de torção gástrica aumentou dramaticamente, e estudos apontam para a ração seca como um dos culpados. Jerold Bell, médico-veterinário, da Tufts University, descobriu que houve um aumento de 1.500% na incidência de torção gástrica nos últimos 30 anos. Cães alimentados com rações comerciais que contêm gordura entre os quatro principais ingredientes apresentaram um risco 170% maior de desenvolver a torção gástrica.

Um estudo sobre a torção gástrica conduzido por M. Raghaven, médico-veterinário da Purdue University, mostrou que “a inclusão de restos de comidas nas dietas de cães grandes e gigantes foi associada a uma diminuição de 59% do risco de torção gástrica, enquanto que a inclusão de rações úmidas foi associada a apenas 28% de diminuição do risco.” (Ann Martin, pesquisadora e autoridade internacional sobre pet food.)

Oferecer uma dieta natural, preparada em casa parece ser a melhor maneira de evitar esse problema. Sirva de duas a três pequenas refeições diariamente ao invés de apenas uma. Evite especialmente oferecer ração seca ou alimentos concentrados que absorvem água depois de ingeridos. O cão comerá além de suas capacidades e quando o alimento se misturar à água, o estômago sofrerá distensão graças ao grande volume estomacal. Isso impede que o estômago se esvazie naturalmente e também aumenta as chances de o estômago se torcer. (Richard Pitcairn, médico-veterinário)

Hipertireoidismo



Pesquisas realizadas na University of Georgia’s College of Veterinary Medicine sugerem que várias outras substâncias na alimentação comercial do gato chamadas de goitrogênicos podem contribuir para o hipertireoidismo. Identificar e eliminar esses goitrogênicos pode ajudar a produzir um declínio na atual epidemia de hipertireoidismo. (Martin Goldstein, médico-veterinário)

Comportamento

Problemas de treinamento são mais comuns em cães alimentados com rações secas. O problema tem a ver com conteúdo de pouca umidade da ração seca, mas mais provavelmente o problema está relacionado com os conservantes. Apenas recentemente foram direcionados estudos para essa área. (Richard Pitcairn)

Em Londres, nos anos 70, me lembro de uma epidemia de "gatos malucos". As criaturas dementes grunhiam e sibilavam e corriam para lá e para cá ensandecidas, como que perseguidas por demônios. Quando descobriram que não eram assombrações mas o ácido benzóico utilizado como conservante das rações o vilão por trás do problema, esse comportamento desapareceu rapidamente. Em 1983, o Professor David Kronfeld especulou que comportamentos peculiares nos animais de estimação podem ser atribuídos aos altos teores de milho nos alimentos processados.

Em 1986 o comportamentalista animal Roger Mugford discursou sobre a agressividade em Golden Retrievers em um simpósio da Waltham (fabricante da Pedigree, entre outras rações). Alguns dos cães, apesar de pertencerem a uma raça notória por sua docilidade, haviam inflingido sérios ferimentos a seus donos. Quando Mugford mudou a dieta dos cães para uma alimentação caseira ele observou melhorias dramáticas no comportamento. (Tom Lonsdale)

Hormônios

Tendo trabalhado com medicina veterinária de rebanhos de produção há bastante tempo sei que uma porcentagem significativa dos animais enviados para o abate, e que são considerados impróprios para consumo humano, foram antes extensivamente tratados com fármacos. Uma vez que o tratamento tenha falhado, estes animais são processados em busca de qualquer valor monetário que possam gerar como alimento – até como ração. Os cães e gatos reciclados de hospitais veterinários ou abrigos podem conter altos níveis de antibióticos e várias outras drogas, ou talvez a própria solução utilizada para realizar a eutanásia. A maioria desses fármacos acaba aparecendo na comida.

A partir de sua experiência como veterinário e inspetor federal de carnes, P.F. McGargle, DVM, concluiu que alimentar animais com restos dos abatedouros aumenta as chances de desenvolvimento de câncer e de outras doenças degenerativas. Tais restos podem incluir carne embolorada, rançosa, estragada, além de tecidos repletos de câncer. Podem também conter hormônios em doses tão altas quanto aquelas empregadas para produzir tumores em animais de laboratório. O Dr. McGargle atribuiu esses teores elevados a duas causas: hormônios sintéticos rotineiramente oferecidos a animais de produção para estimular o rápido crescimento, e à farinha de carne, freqüentemente produzida com resíduos glandulares e tecidos fetais de vacas prenhes. Ambos são naturalmente abundantes em hormônios.

Quando esse material é processado, mesmo em altas temperaturas, os hormônios permanecem ativos. Irônico, não? Que as altas temperaturas destruam os nutrientes, mas preservem as drogas prejudiciais? Altos níveis de hormônios têm efeitos mais severos nos gatos, que são extremamente sensíveis a estas substâncias, mesmo quando estas estão em concentrações bastante baixas. Segundo Debrah Lynn Dadd, advogada e especialista em direitos do consumidor, “Todos os anos cerca de 116.000 mamíferos e aproximadamente 15 milhões de aves são condenados antes do abate. Depois do abate, outros 325.000 carcaças são descartadas e mais de 5.5 milhões de partes principais são rejeitadas por estarem acometidas por doenças. É chocante, mas 140.000 toneladas de frango são condenadas anualmente, geralmente por conterem tumores. Os animais acometidos que não podem ser vendidos para consumo humano são processados e viram...ração de animais.”

Alimentos Crus x Alimentos Processados
Os Estudos de Pottenger sobre Gatos

Uma das mais fascinantes fontes de informação sobre a importância dos alimentos crus vem do que hoje é conhecido como Os Estudos de Pottenger sobre Gatos. O Dr. Pottenger não tinha como objetivo inicial o estudo da nutrição felina, mas ele ficou intrigado pela diferença na saúde dos gatos que ele estava empregando em estudos experimentais. Ele teceu uma série de comparações nutricionais. Por diversas gerações, um grupo de gatos foi alimentado com comida completamente crua (leite, carne, ossos e óleo de fígado de bacalhau). Outros grupos de gato foram alimentados com os mesmos itens parcialmente ou totalmente cozidos. O que ele descobriu é de importância definitiva para qualquer um que queira criar um pet realmente saudável:

* Gatos alimentados com dieta crua estavam completamente saudáveis, nunca requerendo atenção veterinária.
* Quanto mais cozida era a comida, menos saudáveis eram os gatos que a comiam.
* Os problemas de saúde evidentes nos gatos alimentados com comida cozida eram incrivelmente similares aos problemas vistos em gatos de hoje – doenças em gengivas e dentes, inflamação da bexiga urinária, desordens dermatológicas e etc.
* Passado o período de três gerações, os gatos alimentados com comida cozida tiveram sua saúde deteriorada ao ponto de não conseguirem mais se reproduzir.
* Quantos esses gatos foram convertidos para uma dieta à base de alimentos crus, levou três gerações para que eles se recuperassem totalmente dos efeitos da dieta cozida. (Richard Pitcairn)



Coprofagia

A coprofagia – o ato de comer fezes – não é devida a uma doença intestinal ou mesmo a maus hábitos. Carnívoros que consomem carcaças de animais caçados ingerem as fezes junto com o animal. Fêmeas lactantes deixam limpo o ninho pela ávida lambedura das fezes dos filhotes. Fezes frescas de cavalos e gado, além de fezes de gatos, parecem ser muito apreciadas pelos cães. Fezes de herbívoros e de onívoros – e fezes de cães e gatos alimentados com rações à base de grãos – são ricas em enzimas e repletas de microorganismos. As enzimas microbianas, quando consumidas pelo cão, contribuem para a eficiência digestiva. Os micróbios são fonte de presas vivas. Em contato com os ácidos estomacais elas logo morrem e suas proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e micronutrientes podem então serem absorvidos.

Na verdade, comer cocô talvez seja a única maneira dos pets alimentados com ração ingerirem uma fonte de micronutrientes. Ao contrário dos animais herbívoros ou alimentados com grãos, excrementos de carnívoros alimentados naturalmente não têm valor nutricional, sendo predominantemente compostos de osso em pó. Nunca vi um cão demonstrar um mínimo de interesse por comer esse tipo de fezes. A solução para a indesejável coprofagia é, portanto, bastante simples – ofereça carcaças cruas ou meaty bones (ossos contendo carne), crus. (Tom Lonsdale)

Doenças dermatológicas

Embora não haja dúvidas de que pulgas, piolhos, bactérias e alergias sejam problemáticos, novas evidências sugerem que eles não são as principais causas de preocupação. Assim como acontece com outras doenças, dietas comerciais predispõem os animais a situações atípicas. Em alguns casos, os sinais de doença são diretamente resultantes da dieta. Em outros casos a dieta torna o animal mais sensível às pulgas, bactérias e alérgenos. Filhotes saudáveis de cães e de gatos criados com alimentação natural não exibem a gama e severidade de doenças de pele de seus “colegas” alimentados com dietas artificiais. Na verdade a explicação é bastante simples. Uma vez que a pele e a pelagem estejam constantemente sendo renovadas, qualquer desbalanço devido a funções debilitadas de órgãos pode ser evidenciada na forma de pele insalubre e pelagem opaca.

A pele contém grandes quantidades de colágeno que proporcionam força e elasticidade, e células imunológicas protegem contra invasores. Se a saúde deste colágeno e o sistema imune ficam prejudicados por uma dieta inadequada e por doença periodontal (de dentes e gengivas), a pele logo revela esses problemas. As bactérias podem colonizar a pele debilitada mais rapidamente. As toxinas bacterianas danificam ainda mais a pele, provocando reações alérgicas. Até as pulgas parecem preferir animais debilitados. O Dr. Tom Hungerford, o avô da profissão Veterinária na Austrália reportou que seus cães alimentados com meaty bones (ossos contendo carne) crus não “hospedavam” pulgas. (Tom Lonsdale)

Doença hepática

Já que poucas pesquisas são realizadas sobre os efeitos das rações comerciais nos fígados dos animais de estimação, as informações são virtualmente inexistentes. Não obstante, uma infinidade de doenças hepáticas que parecem estar associadas a alimentação com rações comerciais, afetam os cães e os gatos. (Um número pequeno de pets é alimentado naturalmente, mas nestes animais, doenças hepáticas parecem ser raras).

Particularmente, devemos ter em conta que o fígado é sensível ao fluxo de toxinas que emanam dos intestinos e da boca afetada por doença periodontal. Doença hepática é freqüentemente associada a distúrbios imunológicos e perda do colágeno existente entre os lóbulos hepáticos, duas prováveis conseqüências de uma dieta artificial. Na clínica veterinária convencional animais que apresentam sinais de doença hepática podem ser submetidos a uma bateria de exames caros e pouco conclusivos. O que costumo fazer é corrigir a doença periodontal do paciente, mudar a dieta dele para uma natural e monitorar a doença hepática. Quando muitos recuperaram o peso e vitalidade – como freqüentemente acontecia – víamos fortes evidências circunstanciais de que a doença hepática era uma conseqüência secundária da dieta. (Tom Lonsdale)

Câncer

Em 1997, os especialistas da World Cancer Research Fund afirmaram: “o câncer é uma doença possível de prevenir; sua incidência pode ser substancialmente reduzida com dietas adequada”. O conhecimento de rotas biológicas plausíveis apóia a conexão entre alimentação e o câncer. Por exemplo, sabemos que a persistente proliferação das células cancerígenas é freqüentemente deflagrada pelos efeitos de substâncias químicas atípicas sobre o DNA. As rações comerciais contêm uma massa de substâncias químicas estranhas que, quando cozidas juntamente, criam ainda mais químicos estranhos. (Tom Lonsdale)

Durante aula de radiologia na faculdade de Medicina Veterinária, a professora, uma especialista no assunto, discorria sobre tipos de câncer ósseo (por exemplo, osteossarcoma) em cães. Segundo a literatura, esse tipo de câncer, bastante agressivo, geralmente acomete cães de raças grandes e gigantes de meia idade. "Mas, infelizmente, temos visto cada vez mais essa doença nos ossos de filhotes de seis meses de raças grandes e gigantes." Será que só eu acho que essa epidemia de câncer em animais cada vez mais jovens pode estar associada a dietas que bombardeiam o sistema imune do animal com lixos de todos os tipos?
(Contribuição pessoal - Sylvia Angélico)

Doença do Trato Urinário Inferior dos Felinos (DTUIF)



Anualmente, cerca de 06% da população de gatos sofre com a DTUIF e aproximadamente 10% dos gatos trazidos às clínicas veterinárias apresentam a doença. Na forma mais leve, a doença afeta tanto machos quanto fêmeas que passam a sofrer com aumento da freqüência de micção, sangue na urina e dificuldade de urinar. Machos sofrem risco de obstrução da uretra e incapacidade de urinar. David F. Sênior afirmou em uma conferência patrocinada pela indústria de rações para pets:

“Os gatos se tornam progressivamente apáticos, entram em coma, e finalmente morrem se ficarem sem tratamento depois de dois a quatro dias. A morte é devida à desidratação, hipercalemia (excesso de potássio circulante), acidose metabólica e acúmulo de produtos metabólicos.”

Muitos gatos sofrem por anos e alguns apresentam repetidas obstruções uretrais. Como último tratamento, pode ser indicada a amputação do pênis. Entretanto, um número alto de gatos sofre com complicações pós-cirúrgicas. Alguns cientistas postulam que os altos níveis de magnésio na dieta, a urina alcalina e as complicações no revestimento da bexiga provocam a doença. Outros culpam os cristais presentes na urina do gato acometido. Mas os cristais ocorrem na urina de gatos saudáveis também.

Alimentos secos para gatos e a alteração química das dietas estão solidamente implicados na epidemia de DTUIF. Especialistas da indústria das rações comentam que, manipulando a dieta com redução do magnésio e aumento da acidez, controla-se cristais urinários de estruvita. Mas essa mesma manobra aumenta o risco de se formarem cristais de oxalato. A única coisa que eles tentam fazer é acrescentar mais água à dieta. A indústria nem se dá o trabalho de negar a conexão entre seus produtos secos e a doença. (Tom Lonsdale)

Doença periodontal

As dietas processadas (rações) para pets são sabidamente responsáveis pela doença periodontal que acomete mais de 85% dos cães e gatos domésticos. O mau hálito é o primeiro sinal sugestivo de que doenças mais severas, como as cardíacas, hepáticas e renais poderão aparecer adiante. O que faço é tratar a doença periodontal e proporcionar ao pet uma dieta natural. A remoção das toxinas bacterianas (na boca do animal) permite que o sistema imune se recupere.

A saúde e o bem-estar humano às vezes dependem da saúde canina - por exemplo, a saúde de cães assistentes, de cães de busca e de resgate e cães de detecção de explosivos. Como sabemos, cães alimentados com ração comercial raramente são realmente saudáveis e conseqüentemente, apresentam desempenho mediano. Pesquisadores estudaram um grupo de beagles que, por alguns meses, sofreram de acúmulo progressivo de tártaro dentário e simultaneamente perderam a habilidade de detectar odores. Os dentes dos cães foram limpos e dentro de um dia a habilidade de detectar odores voltou ao normal. Imagine as conseqüências se um cão alimentado com ração cujos dentes estejam repletos de tártaro, deixasse de detectar uma bomba terrorista. (Tom Lonsdale)


Fontes bibliográficas:

*Dr. Pitcairn's Complete Guide to Natural Health for Dogs and Cats - 3rd Edition: DVM PhD Richard Pitcairn - 2005, ed. Rodale
*Food Pets Die For - Ann N. Martin - 2008, ed NewSage Press
*Raw Meaty Bones Promote Health - DVM Tom Lonsdale - 2001, ed. Rivetco
* Work Wonders: Feed Your Dog Raw Meaty Bones – DVM Tom Lonsdale – 2005, ed. Rivetco
* The Nature of Animal Healing - DVM Martin Goldstein - 1999, ed Ballantine Book
* Canine Nutrition: What every owner, breeder and trainer should know – DVM Lowell Ackerman – 1999, ed. Alpine





Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Postado por Sylvia Angélico às 6:39 PM | | #

Terça-feira, Setembro 09, 2008

Feliz dia do Veterinário!



Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Postado por Sylvia Angélico às 8:54 PM | | #

Segunda-feira, Setembro 01, 2008

Série rações – Aditivos


Nas duas últimas décadas temos observado uma epidemia de doenças crônicas nos cães e gatos – obesidade, diabetes, alergias, gastroenterites, câncer, hipo e hipertireoidismo, etc. Doenças raramente observadas nos animais de estimação dos nossos avós, alimentados com comida caseira. Quando questionei um professor sobre isso, ele me respondeu: “não tem nada a ver com a alimentação. Estão aparecendo mais doenças porque, graças aos avanços da medicina, hoje podemos diagnosticar mais e melhor.”

Discordo completamente. Por que será que de uma hora para a outra surgiram expressões como cão ou gato “atópico”, “alergia a picada de pulgas”, e etc? Pelo que estudei, e pelo que pessoalmente acredito, o buraco é mais embaixo. A maioria dos veterinários atribui essa hipersensibilidade a fatores não palpáveis como genética, azar e estresse; ou ainda, a elementos meramente desencadeadores, como pulgas e ácaros. Com essa ótica minimalista, perdemos convenientemente de vista questões maiores como a alimentação.

Será que a ração oferecida todos os dias desde o desmame do cão ou gato não poderia ser um fator de contribuição para essa hipersensibilidade? Alguns veterinários se dão conta disso, mas caem na besteira de trocar a ração do animal por outra na tentativa de solucionar uma alergia, por exemplo. Não é culpa deles, na verdade. Na faculdade somos ensinados a confiar incondicionalmente nas rações comerciais. Deixamos a nutrição animal nas mãos de especialistas da indústria, enquanto engolimos sem questionar, que as rações são a melhor e a única forma de alimentar nossos pets e os pets dos clientes.

No primeiro capítulo dessa série, vimos o que podem ser os ingredientes das rações – até daquelas caríssimas, consideradas Super Premium. Se subprodutos impróprios para consumo humano serão moídos, processados repetidamente a altas temperaturas, submetidos à pressão e a processos químicos, como então podemos acreditar que um cão apresenta coceira porque a ração que ele come é à base de frango ou de boi?

O frango ou carne de boi, aliás, qualquer fonte protéica, foi praticamente destruído na fabricação da ração. Segure um pellet de ração em sua mão. Você acha, realmente, que nesse pedacinho duro, seco e poroso, que cheira a químicos, sobrou algum traço de carne fresca? Algo da carne que pudesse provocar coceiras em seu animal? Obviamente, a solução para a alergia alimentar do seu cão não é oferecer uma dieta cozida baseada em carnes caras e pouco acessíveis, como cordeiro, avestruz e coelho, como orientam alguns veterinários.

O animal pode ter alergia a “n” elementos obrigatórios das rações, como os aditivos. Mas uma vez trocada a ração por uma alimentação caseira natural, livre de aditivos, o animal pode minimizar ou mesmo se curar do quadro alérgico - mesmo comendo uma carne que o veterinário julgou alergênica para ele, como a carne bovina. Infelizmente, os veterinários confiam demais na indústria e negligenciam o estudo da alimentação. Não fosse esse o caso, leriam o quão deletérios podem ser os efeitos dos conservantes, amplamente associados a alergias de pele.

No curso de nutrição da faculdade, aprendi, em primeira mão, coisas que deixam qualquer um com senso crítico de cabelos em pé. Um exemplo é o da reciclagem de rações. Apesar de conterem conservantes e antioxidantes para garantir um prazo de validade cada vez maior, as rações invariavelmente ultrapassam esse prazo. O que acontece, então, com aqueles sacos vencidos? São gentilmente recolhidos por funcionários daquela marca de ração e reaproveitados. Entram em outros lotes, onde sofrerão um processamento idêntico ao anterior e logo estão de volta nas prateleiras, sob outro prazo de validade.

Nessa reciclagem, uma nova bateria de aditivos é acrescentada, somando-se aos aditivos contidos na ração originalmente – e isso sem contar os aditivos existentes nos itens comprados pela fábrica para compor a ração. Cientes da opinião negativa do público em relação a esses sintéticos, muitos rótulos se valem de termos vagos como “antioxidante” – sem revelar qual – para descrever os preservantes utilizados.

Vamos entender quem são, afinal, os aditivos, e porque eles podem fazer mal aos pets.



Aditivos acrescentados às rações processadas dos cães e gatos

Agentes anti-congelamento, lubrificantes, agentes antimicrobianos, antioxidantes, adoçantes não nutritivos, adoçantes nutritivos, agentes corantes, agentes redutores de oxidação, agentes curadores, agentes controladores de pH, agentes secantes, co-processadores, emulsificadores, seqüestrantes, agentes firmadores, veículos solventes, flavorizantes, estabilizadores, espessantes, intensificadores de flavorizantes, agentes superficiais ativos, agentes para farináceos, co-formuladores, sinergistas, humectantes, texturizantes, agentes niveladores. (Tom Lonsdale, médico-veterinário)

Adoçantes

Derivado químico do amido de milho, o xarope de milho produz a mesma curva energética que o açúcar refinado e provoca o mesmo desgaste no pâncreas e glândulas adrenais, condição que pode levar à diabetes. Não apenas dilui outros nutrientes na ração por proporcionar “calorias vazias”, destituídas de vitaminas, minerais, proteínas ou gorduras, mas também pode superestimular a produção de insulina e de sucos digestivos ácidos.

Os adoçantes interferem com a habilidade do organismo de absorver as proteínas, cálcio e outros minerais existentes na ração. Além disso, podem inibir o crescimento de bactérias intestinais úteis. (Richard Pitcairn, médico-veterinário).

Outros adoçantes incluem açúcar, sorbitol, etileno glicol e propileno glicol. (Shawn Messonier, médico-veterinário)

Conservantes:

Conservantes sintéticos aprovados para uso em rações comerciais para pets incluem hidroxianisol butilado (BHA) e hidroxitolueno butilado (BHT), propil galato, propileno glicol e etoxiquina. Há pouca informação disponível sobre a toxicidade, as interações, ou efeitos que esses aditivos podem ter nos pets que os ingerem diariamente. (Ann Martin, autoridade internacional sobre rações para pets)

Propileno glicol

Esse composto, notório causador de enfermidades em cães, é utilizado para manter a textura e umidade ideais e para agrupar o conteúdo hídrico, inibindo assim o crescimento bacteriano. É considerado o conservante que mais causa problemas de saúde em cães – pele ressecada e com coceira, queda de pêlos, desidratação, sede excessiva e problemas periodontais (nas gengivas e dentes). (Richard Pitcairn, médico-veterinário).

Pode causar anemia em gatos e pode levar cães e gatos a diabetes. (Shawn Messonier, médico-veterinário)

Etileno glicol

Também chamado de anti-congelamento, pode ser fatal para os pets em altas dosagens. (Shawn Messonier, médico-veterinário)

BHA

O hidroxianisol butilado (BHA) é um antioxidante e conservante químico empregado em muitos alimentos. Pode causar reações alérgicas e afeta as funções renais e hepáticas. (Shawn Messonier, médico-veterinário).

Evita que o conteúdo gorduroso das rações para pets se torne rançoso. Com esse conservante, a ração tem vida eterna nas prateleiras. Há muito se suspeita que o BHA possa ser carcinogênico. (Ann Martin).

BHT

Curiosamente, foi demonstrado que hidroxitolueno butilado (BHT) inibe alguns tipos de câncer, enquanto simultaneamente, promove outros. Apesar de suas propriedades carcinogênicas serem conhecidas, esses produtos continuam a ser empregados nos alimentos dos humanos e dos pets. (Tom Lonsdale, médico-veterinário)

Suspeito de ser carcinogênico. Pode desencadear defeitos congênitos e danos aos rins e ao fígado. Embora o BHT e o BHA sejam também empregados em alimentos de consumo humano, como chicletes, cereais e manteiga, não ingerimos esses conservantes a cada refeição, ao contrário dos animais de companhia. (Ann Martin)

Conservante pouco testado, é associado por alguns cientistas ao estresse metabólico, anormalidades fetais e aumento no colesterol. (Richard Pitcairn, médico-veterinário).

Seu uso alimentício foi banido no Japão (em 1958), Romênia, Suécia e Austrália. Nos Estados Unidos, é proibido seu uso em comidas infantis. O Mc Donald’s deixou de utilizar esse conservante em 1986. (Wikipédia sob o termo de pesquisa “BHT”)



Etoxiquina

Desenvolvida em 1950 pela corporação de tecnologia agropecuária Monsanto, a etoxiquina era originalmente um estabilizador de borracha. É, na verdade, o mais utilizado conservante de pneus, evitando que a borracha neles se oxide. É empregado na maioria das rações de animais de produção, especialmente para os frangos, o que significa que os humanos, não apenas os pets, a absorvem. Mas só é utilizada diretamente nas rações para pets.

Está associada a um sem número de complicações médicas, incluindo infertilidade, enfermidades e mortes neonatais, problemas de pele e de pelagem, desordens imunológicas, disfunção na tireóide, pâncreas e fígado; e problemas comportamentais. Acadêmicos da Austrália, Noruega e do México encontraram fortes vínculos entre a etoxiquina e diversos efeitos maléficos em ratos e galinhas, incluindo degradação hepática e renal significativa.

Outra coisa: a Animal Protection Institute of America (APIA) observa que o fabricante só é orientado a listar a etoxiquina no rótulo da ração se foi ele quem incluiu esse conservante na fórmula. Quando ela entra na ração oriunda das fábricas de reciclagem de resíduos animais ou do frigorífico, não é necessário informar isso no rótulo. E nos últimos anos, o uso dessa substância aumentou. (Martin Goldstein, médico-veterinário).

As concentrações de etoxiquina nos alimentos processados para humanos são baixas – o US Food and Drug Administration (FDA) limita a etoxiquina a cinco partes por milhão na comida humana – e de qualquer modo, nós não comemos tudo o que precisamos de um pacote de ração diariamente. Já as rações para pets podem conter etoxiquina a 150 partes por milhão.

Só de entrar em contato com rações para animais de produção que continham etoxiquina, pessoas desenvolveram severas dermatites. Algumas pessoas acreditam que essa gama de problemas de pele e de fertilidade são diretamente atribuíveis à etoxiquina.(Tom Lonsdale, médico-veterinário)

Originalmente desenvolvida como estabilizante de borracha e herbicida, a etoxiquina segundo relatórios enviados ao FDA pode causar reações alérgicas, problemas de pele, falência de órgãos e câncer. Um teste de alimentação encomendado pela Monsanto, fabricante da etoxiquina, mostrou mudança na cor do fígado e enzimas hepáticas reduzidas em cães alimentados com rações contendo esse químico, mas essas alterações não foram consideradas significativas porque os cães não estavam clinicamente doentes. (Richard Pitcairn, médico-veterinário).

Mais conhecido como “sal comum”, esse é um mineral adicionado em geral de forma abusiva nas rações para pets. A carne de animais herbívoros apresenta por volta de 0,4% de sal, que seria o nível diário ideal para carnívoros como os cães e gatos. Mas a ração seca comumente apresenta níveis muito elevados, podendo atingir de 1 a 3.5% de sal! O sal nas rações incorre em proporções até 8.5 vezes maiores do que as necessidades naturais por motivos benéficos aos pets ou seria por outras razões?

De acordo com a fabricante Hill’s (Science Diet): “alguns fabricantes usam cloreto de sódio e outros sais inorgânicos para aumentar a palatabilidade dos alimentos.” Outra razão é que o sal é um conservante efetivo e barato. Os fabricantes parecem estar cientes dos riscos de toxicidade por sal. Por esse motivo, as embalagens das rações para animais de estimação orientam enfaticamente a deixar água fresca constantemente disponível para o pet. (Tom Lonsdale, médico-veterinário)

Nitrito de sódio

Esse composto é largamente utilizado tanto como conservante quanto como corante vermelho. Pode produzir potentes substâncias carcinogênicas conhecidas como nitrosaminas. (Richard Pitcairn, médico-veterinário).

Acidificantes

Até mesmo as rações secas, com pequeno risco de contaminação bacteriana, podem conter acidificantes. Conseqüências adversas potenciais de alimentos acidificados incluem abrasão aos dentes e efeitos irritantes aos intestinos. As enzimas presentes no intestino delgado necessitam de um meio alcalino para trabalhar. Por serem alimentos acidificados, eles precisam ser excretados pelos rins, favorecendo assim perda de importantes minerais. (Tom Lonsdale, médico-veterinário)



Cloreto de sódio

Corantes

Outra classe comum de aditivos geralmente listados apenas como corantes artificiais não requer rotulação específica. Nos alimentos para pets, essa classe inclui os seguintes corantes derivados de piche, todos permitidos sem os devidos estudos alimentares e acrescidos à ração para torná-la aceitável aos olhos humanos:

Vermelho número 3
Vermelho número 40 (um provável carcinogênico)
Amarelo número 5 (não totalmente testado)
Amarelo número 6
Azul número 1
Azul número 2 (estudos demonstraram que esse corante aumenta a sensibilidade dos cães a vírus fatais)

Corantes similares que foram banidos dos alimentos para pessoas e para pets na década de 70 incluíam o Vermelho número 2 (que parecia aumentar morte e defeitos nos fetos), e Violeta número 1 (suspeito de ser um carcinogênico capaz de provocar lesões na pele).

Em um mercado competitivo onde todos os grandes fabricantes empregam esses corantes para tornar a ração mais parecida com carne vermelha fresca, uma empresa que tentasse comercializar seu produto nas suas cores verdadeiras – vários tons nada atraentes de cinza – colocaria a si mesma em séria desvantagem. (Richard Pitcairn, médico-veterinário)

Corante caramelo: agente corante marrom usado para intensificar e escurecer a cor da ração.

Nitrito de sódio: usado como agente antimicrobiano, faz com que o alimento enlatado mantenha uma cor rosada após o processamento.

Dióxido titânio: um talco branco usado para clarear a cor da ração. (Shawn Messonier, médico-veterinário).

O corante Vermelho número 3, ou eritrosina, provocou câncer na tireóide de ratos em laboratório alimentados com uma alta dosagem desse químico. Quando pesquisadores brasileiros testaram os efeitos de onze corantes comuns de alimentos, a eritrosina foi observada como o corante com efeito mais potente sobre as delicadas enzimas celulares. A eritrosina é rica em iodo. No entanto, esse iodo é biologicamente inacessível para o animal.

Essas combinações de cores podem parecer atraentes aos nossos olhos, mas os efeitos para os animais são negativos ou inexistentes. (Tom Lonsdale, médico-veterinário)



Humectantes

Humectantes químicos absorvem umidade e desidratam bactérias e fungos que estragam os alimentos. Eles também estão por trás do aspecto semi-úmido de algumas rações para cães e gatos. A severidade dos efeitos deletérios causados por eles dependem de fatores tais como a concentração de químicos e a freqüência da ingestão.

Em 1996, o British Small Animal Veterinary Association emitiu uma advertência: rações semi-úmidas preservadas com propileno glicol – que também atua como humectante - não são recomendadas para filhotes de gato, pois podem afetar as células vermelhas do sangue. No mesmo ano, o US Food and Drug Administration (FDA) removeu o propileno glicol da categoria GRAS – Generally Recognised As Safe (Em Geral Considerado Seguro). (Tom Lonsdale)

Flavorizantes

Mais elásticos ainda são os meios que controlam a maior classe de aditivos utilizados nos Estados Unidos – os flavorizantes artificiais. Principalmente graças a um lobby poderoso, os fabricantes desses sabores podem sintetizar novos flavorizantes, considerá-los seguros com poucos ou nenhum teste, e depois empregá-los sem necessidade de autorização do FDA sob o genérico termo “flavorizantes artificiais”.

Já que não temos meio algum de confiar ou verificar a segurança do flavorizante utilizado, qualquer proprietário seriamente preocupado com a saúde do pet deveria evitar completamente o uso de produtos – para si mesmo ou para o pet – que contenham esse misterioso grupo de ingredientes. (Richard Pitcairn)

Ácido fosfórico

Faz cócegas na língua dos animais, atuando como promotor artificial do apetite, principalmente em gatos. (Martin Goldstein, médico-veterinário)

Fontes:
*Natural Health Bible for Dogs and Cats: DVM Shawn Messonnier - 2001, ed. Three Rivers Press
*Dr. Pitcairn's Complete Guide to Natural Health for Dogs and Cats - 3rd Edition: DVM PhD Richard Pitcairn - 2005, ed. Rodale
*Food Pets Die For: Ann N. Martin - 2008, ed NewSage Press
*Raw Meaty Bones Promote Health: DMV Tom Lonsdale - 2001, ed. Rivetco
*The Nature of Animal Healing: DMV Martin Goldstein - 1999, ed Ballantine Book

Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!

Postado por Sylvia Angélico às 10:23 PM | | #

Quinta-feira, Agosto 28, 2008

Série Rações - Cães e gatos como fonte de proteína?

O segundo capítulo dessa série traz a mais perturbadora revelação acerca da indústria de rações. Para quem sempre se perguntou para onde vão os milhares de toneladas de cães e gatos mortos por eutanásia ou por doenças, a pesquisadora canadense Ann Martin oferece uma resposta.

Há cerca de vinte anos, Ann Martin quase perdeu seus cães, um Terranova e um São Bernardo, por uma severa intoxicação por zinco. Foi quando descobriu, levando amostras das rações dos cães a um laboratório independente, que os níveis de zinco ultrapassavam 20 vezes o teor diário máximo tolerado pelo organismo de um cão.

Nas próprias palavras de Ann Martin, “logo, aprendi que se tratava de uma indústria bilionária que em muitos aspectos regulamenta a si mesma”.

Esse achado motivou a autora a iniciar uma pesquisa profunda sobre a indústria de alimentos supostamente “completos e balanceados”. Fruto desses estudos, o livro “Food Pets Die For” (algo como “Comidas pelas quais os cães morrem”, em inglês, inédito no Brasil), foi publicado em 1997.

A terceira edição, que importei pela livraria Cultura, é fresquinha: foi publicada agora, em 2008. Nele, Ann Martin atualiza os fatos escandalosos envolvendo essa indústria e traz explicações detalhadas sobre o que realmente esteve por trás de recalls de rações como o de 2007, responsável pela morte de milhares de animais de estimação.

Mas o mais chocante de todos os fatos – mais do que a pobreza nutricional dos ingredientes, mais até do que o perigo dos aditivos e contaminantes – é a informação que vocês lerão a seguir. Segundo a autora, países como os Estados Unidos e o Canadá fazem amplo uso de carne de cães e gatos eutanasiados ou mortos por doenças, nas rações. Sim, aparentemente, cães e gatos de lá estão comendo... outros cães e gatos.

É possível, entretanto, que tal informação não se aplique ao Brasil – assim como parece não se aplicar a países da Europa, cujas leis proíbem essa prática. Mas, de qualquer maneira, achei interessante publicar essa informação, pesquisada por Ann Martin há mais de 18 anos. Quero acreditar que no Brasil é diferente. Que, como grandes produtores de carne, não precisamos recorrer a isso. Mas é impossível não pensar: se nesses países acontece isso, o que impediria de acontecer também por aqui?


Trecho do livro: Food Pets Die For
Autora: Ann Martin
Edição: 2008
Tradução: Sylvia Angélico

Carcaças de animais como fonte de proteína

Essa terceira edição de “Food Pets Die For” está prestes a ir para a gráfica, e gatos e cães oriundos de abrigos e de clínicas veterinárias de todas as partes dos Estados Unidos e do Canadá continuam sendo reciclados para compor uma fonte de proteína chamada “farinha de carne”. Empresas de beneficiamento de sub-produtos de origem animal vendem, então, essa farinha de carne para fabricantes de rações para pets. Ainda é permitido reciclar carcaças de cães e gatos, juntamente com uma variedade de outros resíduos animais listados abaixo, para compor uma fonte protéica para as rações dos pets.

Fabricantes de rações para cães e gatos negam veementemente o uso de “farinhas de carne” que incluem carcaças de cães e gatos. Se tais afirmações dos fabricantes e recicladores são verdadeiras, então pr